Campo Grande - segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Plaquinhas com nomes de músicas do cantor estão nas portas dos quartos desde 2017 e se tornaram lembrança para famílias
Michelly Perez - 04/09/2026 • 09:22
Foto: AACC
As placas com nomes de músicas de Luan Santana que enfeitam as portas dos quartos da Casa de Apoio da AACC/MS, em Campo Grande, estão prestes a ser retiradas. O motivo é a primeira grande reforma do espaço, mas a mudança despertou uma reação entre as mães de crianças e adolescentes atendidos pela instituição: elas querem reencontrar o cantor e preservar a homenagem que faz parte da história da Casa há quase uma década.
As plaquinhas foram colocadas em 2017, depois da primeira visita de Luan à AACC/MS. Desde então, acompanharam famílias que chegaram a Campo Grande em busca de tratamento para os filhos e acabaram criando memórias durante os períodos de hospedagem.
Para Joyce, mãe do assistido Matheus, uma das placas tem um significado especial. Na porta do quarto está o nome da música “Química do Amor”.
“A minha plaquinha é a Química do Amor. E aqui [na AACC/MS] é uma química do amor mesmo. Ele vai ver aqui o que ele deixou pra gente. A gente gostaria muito, Luan, que você voltasse”, conta.
Foi a partir da reação das mães que a AACC/MS decidiu transformar o desejo em campanha. A instituição publicou um vídeo nas redes sociais contando a história das placas e fazendo um pedido para que a mensagem chegue até o cantor.
Luan Santana esteve na AACC/MS duas vezes. A segunda visita ocorreu em 13 de março de 2019, justamente no dia em que completou 28 anos.
Na ocasião, o cantor apareceu de surpresa na Casa de Apoio e passou o aniversário ao lado das crianças e famílias atendidas. Depois, compartilhou nas redes sociais que aquele havia sido o “aniversário mais lindo da minha vida”.
Um dos encontros daquele dia também ficou marcado na memória da equipe. Uma criança cega que estava hospedada na Casa pediu para conhecer o rosto do cantor. Luan se abaixou para que ela pudesse tocá-lo.
A relação com a AACC/MS, porém, vai além das visitas. As doações feitas pelo cantor ajudaram na ampliação da Casa de Apoio, que passou de 10 para 16 quartos, além de contribuírem para outras melhorias na estrutura.
As placas com nomes de suas músicas foram colocadas nas portas justamente como uma forma de homenagear essa relação.
Agora, quase dez anos depois, as placas precisarão ser retiradas para a realização da primeira grande reforma da Casa de Apoio.
O projeto representa um investimento superior a R$ 3,5 milhões e prevê mudanças nos ambientes utilizados por crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer e seus acompanhantes, com melhorias voltadas ao conforto e à funcionalidade.
Apesar da retirada das placas, a instituição pretende preservar a história construída ao longo dos anos.
“Essa reforma é um passo muito importante para a AACC/MS. A Casa foi crescendo ao longo dos anos e hoje recebe muitas famílias que precisam permanecer em Campo Grande durante o tratamento. Queremos que elas encontrem aqui um espaço cada vez mais adequado, confortável e acolhedor para atravessar esse período”, afirma a fundadora e presidente da AACC/MS, Mirian Comparin Corrêa.
A Casa de Apoio recebe famílias de diferentes municípios de Mato Grosso do Sul e também de países vizinhos que chegam a Campo Grande para tratamento.
Durante a permanência, os assistidos e acompanhantes têm acesso a hospedagem, alimentação e transporte, além de atendimento de uma equipe multidisciplinar formada por psicólogos, nutricionista, fisioterapeuta e assistente social.
Somente em 2025, a AACC/MS atendeu 323 crianças e adolescentes, registrou 6.346 hospedagens, serviu 31.676 refeições e realizou 17.910 atendimentos multiprofissionais. Também foram contabilizadas 677 internações no CETOHI e distribuídas 1.338 cestas básicas e sociais.
Manter toda essa estrutura custa, em média, R$ 400 mil por mês à instituição.
Agora, enquanto a Casa se prepara para uma nova fase, as mães fazem um pedido especial: que Luan Santana volte ao lugar onde deixou não apenas placas com nomes de músicas, mas também memórias que permaneceram nas portas dos quartos e na história de quem passou por ali.
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