Campo Grande - domingo, 9 de agosto de 2026
MPT, Polícia Civil e CREA-MS apuram as circunstâncias da queda de 35 metros que matou José Ricardo Martins
Michelly Perez - 08/07/2026 • 07:57
Foto: reprodução- redes sociais
O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) realizou, nesta terça-feira (7), uma inspeção técnica no canteiro de obras onde o operário José Ricardo Martins morreu após cair de aproximadamente 35 metros de altura, do 19º andar de um edifício em construção, na região central de Campo Grande. A vistoria faz parte da investigação que busca esclarecer as circunstâncias do acidente e verificar se houve descumprimento das normas de segurança no trabalho.
O acidente ocorreu na manhã de segunda-feira (6), durante um serviço de concretagem na parte externa da estrutura de um prédio localizado no cruzamento das ruas Amazonas e 13 de Maio. Conforme as informações apuradas, José Ricardo trabalhava ao lado de outro operário quando a plataforma onde ambos estavam cedeu. O colega conseguiu se segurar na estrutura e sobreviveu, enquanto José Ricardo caiu de uma altura equivalente a cerca de 12 andares e morreu no local.
A força-tarefa que acompanha o caso reúne o MPT, a Auditoria-Fiscal do Trabalho, a Polícia Civil, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (CREA-MS) e outros órgãos competentes. Enquanto a Polícia Civil conduz a investigação criminal, a Auditoria-Fiscal e o Ministério Público do Trabalho apuram possíveis irregularidades relacionadas às condições de segurança oferecidas aos trabalhadores.
Em vídeo divulgado pelo MPT, o procurador do Trabalho Paulo Douglas Almeida de Moraes explicou que a atuação busca identificar as causas do acidente e verificar se todas as normas de proteção coletiva e individual estavam sendo cumpridas pela empresa responsável pela obra.
Após a conclusão da fiscalização e da perícia técnica, o Ministério Público do Trabalho poderá adotar medidas judiciais e extrajudiciais caso sejam constatadas irregularidades. Além de buscar a reparação dos danos à família da vítima, o órgão poderá exigir que a empresa promova adequações no ambiente de trabalho para eliminar ou reduzir os riscos e impedir a ocorrência de novos acidentes.
O caso também reacendeu o debate sobre a segurança na construção civil. Dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho mostram que o setor figura entre os que mais registram acidentes graves e fatais no país, principalmente em atividades realizadas em altura, que exigem o cumprimento rigoroso de normas específicas de proteção.
Em nota, o MPT destacou que tragédias como essa evidenciam a importância da prevenção e do cumprimento das normas de saúde e segurança no trabalho. Segundo o órgão, investir em equipamentos de proteção, treinamento e fiscalização permanente é indispensável para preservar vidas e evitar que acidentes semelhantes voltem a acontecer.
As investigações continuam e deverão apontar se houve falhas estruturais, ausência de equipamentos de proteção ou outras irregularidades que possam ter contribuído para a morte do trabalhador.
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