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Campo Grande - domingo, 9 de agosto de 2026

Som, DNA e tecnologia: Suzano inova no monitoramento da natureza no Cerrado

Com inteligência artificial, projeto identifica mais de 200 espécies e ajuda a criar corredores ecológicos

Michelly Perez - 15/10/2025 • 11:19

Foto: Suzano

Um projeto pioneiro da Suzano, em parceria com o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), está utilizando  gravações acústicas automatizadas, análises de DNA ambiental e inteligência artificial para mapear a fauna do Cerrado em Mato Grosso do Sul.

O estudo, inédito no Estado, tem como objetivo apoiar a criação de corredores ecológicos e ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade regional. Ao todo, 176 pontos foram monitorados ao longo de 400 quilômetros de área de pesquisa.

Em 79 desses locais, foram instalados simultaneamente gravadores acústicos e armadilhas para coleta de DNA ambiental (iDNA), que utilizam moscas e mosquitos para capturar fragmentos genéticos de diferentes espécies.

Os dispositivos registraram 2.160 minutos de som por ponto, durante 15 dias consecutivos. As gravações foram analisadas por meio de inteligência artificial, utilizando o modelo BirdNET, capaz de identificar automaticamente aves, mamíferos, anfíbios e insetos a partir de seus sons.

Mais de 200 espécies

Os primeiros resultados são expressivos: 207 espécies já foram registradas — 194 aves, 10 anfíbios e 3 mamíferos —, o que representa cerca de 40% da biodiversidade esperada para a região, segundo dados do Sistema Global de Informações sobre Biodiversidade (GBIF).

Entre os animais identificados estão espécies emblemáticas do Cerrado, como o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), o mutum-de-penacho (Crax fasciolata) e aves endêmicas como o chupa-dente-do-planalto (Thamnophilus pelzelni). Também foram detectados mamíferos como a anta (Tapirus terrestris), o tamanduá-bandeira (Tamandua tetradactyla) e a jaguatirica (Leopardus pardalis).

As análises genéticas das amostras de DNA ambiental estão sendo conduzidas pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Corredores ecológicos 

Desde 2021, a Suzano mantém a meta de conectar 500 mil hectares de áreas prioritárias nos biomas Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia até 2030. Até agora, já foram 157 mil hectares conectados. Em Mato Grosso do Sul, a empresa possui 1,136 milhão de hectares de áreas florestais, sendo 327 mil hectares destinados exclusivamente à conservação.

“O uso de tecnologias como gravadores acústicos e DNA ambiental torna essa iniciativa pioneira no monitoramento da biodiversidade do Cerrado. As informações inéditas geradas serão fundamentais para demonstrar a funcionalidade dos corredores ecológicos”, afirma Beatriz Barcellos Lyra, coordenadora de Sustentabilidade da Suzano.

O estudo segue em andamento até o final de 2025 e promete ampliar ainda mais o conhecimento sobre a fauna do Cerrado, contribuindo para a proteção de um dos biomas mais ricos e ameaçados do Brasil.

Tags: Cerrado, Monitoramento, Suzano,