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Campo Grande - sábado, 25 de julho de 2026

Tarifa dos EUA poupa carne bovina e reduz impacto para o agro de MS

Estado deve sentir efeitos limitados da nova taxação. Carne bovina, madeira, tilápia e couros ficaram fora da medida

Michelly Perez - 22/07/2026 • 08:55

Foto: divulgação

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros deve ter impacto menor do que o esperado para o agronegócio de Mato Grosso do Sul. Isso porque a principal mercadoria exportada pelo Estado ao mercado norte-americano, a carne bovina, ficou fora da lista de produtos taxados, assim como madeira, tilápia e couros.

A avaliação é da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), que analisou os efeitos da medida com base em informações técnicas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Para a entidade, o cenário final foi mais favorável do que o inicialmente projetado, preservando boa parte da pauta exportadora sul-mato-grossense.

Outro fator que reduz os impactos é o peso relativamente pequeno dos Estados Unidos nas exportações do agronegócio estadual. Atualmente, o país responde por cerca de 5% das vendas externas do setor em Mato Grosso do Sul, enquanto a China concentra 52,2% das exportações, consolidando-se como o principal parceiro comercial do Estado.

No cenário nacional, a CNA estima que 63,5% do valor das exportações brasileiras do agronegócio destinadas aos Estados Unidos permaneceram livres da tarifa adicional, graças à ampliação da lista de exceções anunciada pelo governo norte-americano.

Além da carne bovina, a relação de produtos preservados inclui café, suco de laranja, cacau, especiarias, madeira, couros, pescados e mel orgânico. A nova tarifa entrou em vigor nesta terça-feira (22) e será aplicada apenas aos produtos que não constam na lista de exceções.

Carne bovina evita maior impacto

Para Mato Grosso do Sul, a exclusão da carne bovina da taxação foi considerada o principal fator para reduzir os efeitos econômicos da medida. O produto está entre os mais importantes da pauta exportadora do Estado para os Estados Unidos e sua permanência na lista de isenção evita perdas imediatas para frigoríficos e produtores.

Na avaliação da Famasul, o comércio entre Brasil e Estados Unidos é marcado pela complementaridade das cadeias produtivas. Durante as negociações, empresas e importadores norte-americanos defenderam a manutenção das compras de diversos produtos brasileiros, argumentando que eles abastecem a indústria local e ajudam a conter custos de produção.

Em 2025, os Estados Unidos foram o segundo maior destino das exportações do agronegócio brasileiro, movimentando cerca de US$ 12 bilhões em negócios.

Cautela permanece

Apesar do alívio para Mato Grosso do Sul, a Famasul ressalta que o cenário ainda exige acompanhamento. Produtos como açúcar, etanol, carne suína e parte dos industrializados continuam sujeitos à tarifa adicional de 25%.

A entidade afirma que continuará monitorando os desdobramentos da política comercial norte-americana em conjunto com a CNA, já que futuras alterações na lista de exceções podem afetar a competitividade de alguns segmentos do agronegócio brasileiro.

Tags: AGRO, EUA, tarifa,