Campo Grande - segunda-feira, 6 de julho de 2026
Técnico defende atuação da Seleção, Vinícius Júnior pede desculpas à torcida e Marquinhos deixa no ar possível despedida dos Mundiais
Michelly Perez - 06/07/2026 • 08:20
Foto: reprodução-CBF
O sonho do hexacampeonato terminou cedo e de forma amarga. Derrotado por 2 a 1 pela Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo, o Brasil se despediu do torneio com sua pior campanha desde 1990. Se a frustração tomou conta da delegação e da torcida, o técnico Carlo Ancelotti preferiu olhar para frente e garantiu que a eliminação marca apenas o início de um novo ciclo.
Em entrevista após a partida, disputada em Nova Jersey, o treinador italiano lamentou o resultado, mas afirmou que a Seleção fez o suficiente para sair classificada.
“Estamos muito tristes. Pelo esforço e pelas oportunidades criadas, não merecíamos perder. Mas enfrentamos uma equipe com jogadores capazes de decidir partidas, e foi isso que aconteceu”, avaliou.
O grande algoz brasileiro foi o atacante Erling Haaland, autor dos dois gols noruegueses. Para Ancelotti, a estratégia adotada funcionou durante boa parte do confronto. Segundo ele, pressionar a saída de bola da Noruega abriria espaços perigosos para Haaland, que acabou fazendo a diferença nos momentos decisivos.
O treinador também explicou a decisão que gerou questionamentos durante a partida: a escolha de Bruno Guimarães para cobrar o pênalti desperdiçado ainda no primeiro tempo, quando o placar seguia zerado. De acordo com Ancelotti, a definição foi baseada em estatísticas de aproveitamento dos jogadores ao longo da temporada.
Apesar da queda precoce, o técnico, que tem contrato até 2030, descartou qualquer clima de fim de ciclo.
“Agora precisamos administrar essa tristeza e pensar no futuro. Temos uma base sólida, jogadores jovens, atletas experientes que ainda podem contribuir e outros que vão surgir. Uma derrota também representa um começo. Não é o fim, é o início de um novo ciclo”, afirmou.
Principal nome da Seleção na Copa e artilheiro brasileiro no torneio, com quatro gols, Vinícius Júnior deixou o estádio abatido. O camisa 7 pediu desculpas aos torcedores e garantiu que o sonho de conquistar o sexto título mundial continua vivo.
“É um momento muito delicado. Peço desculpas à torcida que acreditou na gente. Desta vez não foi possível, mas não vou desistir de colocar o Brasil novamente no topo do futebol mundial”, declarou.
Questionado sobre o pênalti perdido por Bruno Guimarães, Vinícius fez questão de defender o companheiro. Segundo ele, a escolha do cobrador partiu exclusivamente da comissão técnica.
“O mister escolheu o Bruno. Futebol é assim, você pode acertar ou errar. A força agora é para ele, porque fez uma grande Copa.”
Se Vinícius olha para frente, Marquinhos demonstrou incerteza sobre o próprio futuro com a camisa da Seleção. Aos 32 anos, o capitão disputou sua terceira Copa do Mundo e estará com 36 anos no próximo Mundial, em 2030.
Sem confirmar despedida, o zagueiro admitiu que ainda não sabe se fará parte do próximo ciclo.
“Foi minha terceira Copa e não consegui conquistar o título. Isso mostra o quanto é difícil vencer uma Copa do Mundo. Não sei qual será o meu futuro. Quatro anos é muito tempo”, afirmou.
Com a eliminação, o Brasil encerra mais uma tentativa frustrada de conquistar o hexacampeonato e inicia um período de reconstrução sob o comando de Ancelotti. Enquanto veteranos ainda avaliam a permanência, a nova geração já carrega a missão de recolocar a Seleção entre as favoritas para a Copa de 2030.