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Campo Grande - segunda-feira, 6 de julho de 2026

Veloz, disciplinada e invicta: Conheça a seleção do Japão, próxima adversária do Brasil

Impulsionado pela profissionalização do futebol e pelo legado de Zico, Japão chega à Copa como uma das seleções mais organizadas e perigosas do torneio.

Michelly Perez - 26/06/2026 • 08:37

Foto: Daniel Becerril

Depois de empatar com a Suécia e assegurar vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, o Japão será o próximo desafio da seleção brasileira. O confronto acontece na segunda-feira (29), às 14h (horário de Brasília), em Houston, nos Estados Unidos, e abre a fase eliminatória do Mundial.

A equipe japonesa avançou como segunda colocada do Grupo F, atrás da Holanda. Na campanha, goleou a Tunísia por 4 a 0 e empatou em 2 a 2 com os holandeses, demonstrando organização tática e poder de reação.

Para a comentarista esportiva da TV Brasil e da Rádio Nacional, Luciana Zogaib, o duelo promete equilíbrio e exige atenção da seleção comandada por Carlo Ancelotti.

“O Japão é uma equipe que aposta em transições rápidas, tem forte disciplina tática e equilíbrio emocional. Mesmo quando sai atrás no placar, consegue manter a organização e buscar o resultado, como fez diante da Holanda”, avalia.

A confiança japonesa também é sustentada por uma sequência positiva. Desde a vitória sobre o Brasil por 3 a 2, em amistoso disputado em Tóquio no fim de 2025, a equipe não voltou a perder. Na ocasião, Ancelotti afirmou que a seleção brasileira precisava desenvolver maior “resiliência mental” para enfrentar adversários competitivos.

“O mental dos japoneses é muito forte. Eles chegam embalados para esse confronto”, destaca Zogaib.

A comentarista Rachel Motta também chama atenção para a velocidade da equipe asiática. Segundo ela, o principal trunfo japonês está na eficiência dos contra-ataques.

“O Japão talvez não tenha tantas estrelas, mas compensa com marcação intensa, organização e transições muito rápidas. O Brasil precisará impor sua qualidade técnica para controlar o jogo”, afirma.

A influência brasileira na evolução do futebol japonês

O crescimento do futebol japonês ao longo das últimas décadas teve importante participação brasileira. Um dos principais nomes dessa história é Zico. Ídolo do Flamengo, o ex-jogador ajudou na profissionalização do futebol no Japão, atuou pelo Kashima Antlers e, anos depois, comandou a seleção japonesa na Copa do Mundo de 2006.

Em entrevista concedida neste ano à Agência Brasil, Zico resumiu sua ligação com o país asiático em tom bem-humorado.

“Que o flamenguista não fique chateado, mas com o Flamengo foram 20 anos e com o Japão foram 22.”

Sua influência ajudou a consolidar um projeto que transformou o Japão em uma das principais forças do futebol asiático e presença constante em Copas do Mundo.

Relação histórica entre Brasil e Japão

Os laços entre Brasil e Japão vão muito além do esporte. A relação entre os dois países teve como marco a chegada do navio Kasato Maru ao porto de Santos, em 1908, trazendo cerca de 800 imigrantes japoneses para trabalhar nas lavouras de café.

Hoje, estima-se que cerca de 2 milhões de japoneses e descendentes vivam no Brasil, formando a maior comunidade nipônica fora do Japão. A maior concentração está em São Paulo, especialmente no bairro da Liberdade, símbolo da presença da cultura japonesa no país.

Além da capital paulista, cidades como Assaí (PR), Ivoti (RS) e Tomé-Açu (PA) também preservam forte influência da imigração japonesa.

O intercâmbio ocorre em duas vias. Aproximadamente 200 mil brasileiros vivem atualmente no Japão, fortalecendo uma relação construída sobre laços familiares, culturais e econômicos.

Parceiros também na economia

Brasil e Japão mantêm uma parceria estratégica em áreas como ciência, tecnologia, indústria, saúde, robótica, energia renovável e setor aeroespacial.

O Japão figura entre os maiores investidores estrangeiros no Brasil, com investimentos concentrados em segmentos como indústria automotiva, siderurgia e equipamentos elétricos.

Na balança comercial, os dois países movimentam bilhões de dólares anualmente. O Brasil exporta principalmente minério de ferro, carne de frango, café, milho e alumínio, enquanto importa autopeças, produtos químicos, componentes eletrônicos e instrumentos de precisão.

Agora, essa relação histórica ganha mais um capítulo dentro de campo. Depois de décadas de intercâmbio cultural e esportivo — e da influência decisiva de brasileiros na evolução do futebol japonês — as duas seleções voltam a se enfrentar, desta vez em um duelo eliminatório que vale vaga nas quartas de final da Copa do Mundo. (com Agência Brasil)

Tags: Copa, futebol, Japão,