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Campo Grande - sábado, 8 de agosto de 2026

Guardas pagam uniforme e psicotécnico do próprio bolso, denuncia vereador

Audiência pública na Câmara vai discutir a falta de valorização da Guarda Civil Metropolitana

Michelly Perez - 04/08/2026 • 08:01

Foto: divulgação

Enquanto a população cobra mais segurança nas ruas, parte dos profissionais responsáveis por protegê-la precisa tirar dinheiro do próprio bolso para exercer a função. A denúncia é do vereador André Salineiro (PL), que afirma que guardas civis metropolitanos de Campo Grande pagam despesas obrigatórias para continuar trabalhando, cenário que, segundo ele, simboliza o abandono da segurança pública municipal.

Para discutir o problema, o parlamentar promove na próxima segunda-feira (10), às 9h, a audiência pública “GCM em Pauta: Valorização e Fortalecimento da Segurança Pública Municipal”, na Câmara Municipal. O encontro foi solicitado pelo Sindicato dos Guardas Municipais de Campo Grande (SINDGM/CG) e reunirá representantes do poder público, das forças de segurança, do Ministério Público, da OAB/MS e da sociedade civil.

Na avaliação de Salineiro, o tratamento dado aos servidores é um retrato da situação enfrentada pela segurança na Capital. Segundo ele, o descaso com a Guarda Civil Metropolitana se arrasta há anos, sem valorização profissional, recomposição salarial ou garantia de direitos básicos, enquanto a população convive com o aumento da sensação de insegurança.

“O guarda é cobrado para proteger a cidade, mas precisa pagar para trabalhar”, critica o vereador.

De acordo com o parlamentar, os agentes desembolsam recursos para custear o exame psicotécnico anual exigido para manter o porte de arma. Quem deseja integrar equipes especializadas, como a Ronda Ostensiva Municipal (Romu), a Patrulha Ambiental ou o Grupamento Especializado de Motopatrulhamento (Gemop), também precisa comprar o próprio uniforme. Além disso, durante a reciclagem obrigatória para manutenção do porte de arma, os guardas ainda arcam com despesas de alimentação.

Prejuízos à população

Para Salineiro, a falta de investimentos na corporação ultrapassa a questão trabalhista e afeta diretamente a capacidade de resposta da segurança pública. Segundo ele, uma Guarda desvalorizada significa menos estrutura para enfrentar problemas que atingem diariamente a população, como furtos, vandalismo, ocupações irregulares, degradação de espaços públicos e o avanço da criminalidade em regiões como o Centro de Campo Grande.

A audiência pretende discutir medidas para fortalecer a corporação, incluindo recomposição salarial, pagamento de direitos, adicional de periculosidade, melhores condições de trabalho e novos investimentos.

Foram convidados para o debate a prefeita Adriane Lopes, representantes da Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social (Sesdes), do comando da Guarda Civil Metropolitana, da Secretaria Municipal de Finanças e Planejamento (Sefin), Ministério Público, Polícia Civil, Conselho Comunitário de Segurança (Conseg), OAB/MS, além de representantes do comércio, da indústria, do transporte de cargas, do setor supermercadista e dos postos de combustíveis.

Tags: Centro, GCM, segurança,