Campo Grande - quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Ex-primeira-dama e candidata ao Senado nega ressentimentos após reunião com o enteado, mas cobra respeito à autonomia feminina na política
Michelly Perez - 12/08/2026 • 09:36
Foto: reprodução
Em mais um capítulo de reorganização interna no Partido Liberal (PL), a ex-primeira-dama e candidata ao Senado, Michelle Bolsonaro, sinalizou trégua nas tensões familiares e partidárias. Nesta terça-feira (11), após reunião a portas fechadas como senador Flávio Bolsonaro (PL), Michelle afirmou que não guarda mágoas do enteado e que o ambiente é de reconciliação.
Apesar do clima de apaziguamento, o encontro ocorreu após meses de desgaste provocado por disputas de espaço e decisões estratégicas dentro da legenda — especialmente envolvendo os diretórios estaduais e alianças regionais.
Ao ser abordada pela imprensa sobre o teor da conversa com Flávio, Michelle manteve o tom misterioso sobre os detalhes, mas fez questão de afastar qualquer ruído de animosidade prolongada.
“Segredo. Nós nos abraçamos. Normal. Não guardo mágoa de ninguém. As coisas vão se ajeitando aos poucos. Está tudo certo”, declarou a ex-primeira-dama.
A declaração tenta colocar panos quentes na relação entre os núcleos da família Bolsonaro, que enfrentavam rusgas públicas desde o final do ano passado por conta da condução das chapas e alianças políticas para o pleito.
A principal ferida exposta por Michelle diz respeito à articulação política do PL no Ceará, que envolveu aproximações com o ex-ministro Ciro Gomes. Segundo a ex-primeira-dama, a negociação foi feita pela cúpula partidária sem o seu aval, atropelando a autonomia que lhe havia sido garantida no comando do PL Mulher.
O descontentamento foi tamanho que, em novembro, Michelle chegou a colocar o cargo à disposição:
Quebra de autonomia: Michelle apontou que a tentativa de impor arranjos locais ignorou o trabalho que ela realizava diretamente com as lideranças femininas dos estados.
Pedido de demissão: “Como houve o desgaste no Ceará, em novembro fui ao PL para entregar a minha saída”, revelou.
Desgaste evitável: A ex-primeira-dama acabou sendo convencida a permanecer, mas não deixou de criticar a condução do episódio. “Foi gerado um desgaste muito grande e desnecessário. Poderia ter sido evitado. É página virada.”
Apesar de não estar mais à frente da presidência do PL Mulher, Michelle fez questão de enfatizar que seu compromisso com as quadras femininas do partido permanece. Ela destacou que mantinha um contato direto e personalizado com as pré-candidatas nos estados e que continuará prestando suporte às aliadas na corrida eleitoral. (com informações ND Mais)
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