Campo Grande - quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Serviço Secreto usou o famoso Air Force One lotado de jornalistas como disfarce e transportou o presidente norte-americano em uma manobra digna de filme de espionagem
Michelly Perez - 12/08/2026 • 09:32
Foto: Anna Moneymaker/Getty Images
A geopolítica internacional ganhou contornos de roteiro de cinema no céu do Oriente Médio. Em uma revelação digna dos melhores romances de espionagem do século XX, veio à tona uma das operações de despiste de segurança mais ousadas da história recente da Casa Branca: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, precisou ser escondido na caçamba de um caminhão de catering (abastecimento de refeições) para escapar de uma ameaça real de assassinato orquestrada pelo Irão, na Turquia.
A manobra clandestina, revelada pelo jornal The Washington Post, utilizou o lendário jato presidencial Air Force One — repleto de repórteres, fotógrafos e assessores do alto escalão — como uma “isca viva” voadora para atrair as atenções, enquanto o republicano sumia do mapa em um avião militar menor.
Tudo aconteceu em meio à escalada de tensões entre Washington e Teerão, logo após o reinício de bombardeios norte-americanos no sul do território iraniano. Em Ancara, capital turca, a imprensa mundial registrava cada passo de Trump. Sob a luz dos holofotes, o presidente subiu a escada principal do Boeing 747 Air Force One, acenou com a mão para as câmeras de TV e entrou na aeronave sob forte esquema de segurança.
A imprensa internacional a bordo deu a viagem por iniciada com destino ao Reino Unido. O que nem os jornalistas e nem boa parte dos próprios funcionários da Casa Branca sabiam é que, segundos após entrar no jato, o presidente sumiu pelos fundos.
Uma porta do lado oposto do avião foi aberta para receber a plataforma hidráulica de um caminhão de alimentos do aeroporto. Trump e seus assessores mais próximos entraram no compartimento de marmitas e desceram até a pista sem levantar qualquer suspeita.
Foto: Flickr/Reprodução
Minutos depois, acobertado pelos motores das aeronaves estacionadas, o presidente subiu a bordo de um Boeing C-32A menor (utilizado sob o codinome tático “Reach 18”), voando rumo à Europa completamente “invisível” nos radares civis. Enquanto isso, o famoso jumbo azul e branco da presidência decolava cheio de jornalistas para servir de escudo e distração.
Se por um lado a operação cumpriu seu papel estratégico de segurança, por outro deixou um rastro de forte mal-estar com os veículos de comunicação. Histórica nos Estados Unidos, a presença da imprensa no pool da Casa Branca visa garantir a transparência das ações do chefe de Estado para a opinião pública, inclusive em cenários de risco.
A manobra de transformar profissionais de imprensa em “escudos involuntários” enquanto eram mantidos no escuro e com ordens expressas de fechar as persianas das janelas não foi bem vista por jornalistas e correspondentes. Organizações de mídia apontaram a quebra de confiança no protocolo de acompanhamento presidencial e criticaram o fato de a imprensa ter sido exposta a um risco potencial sem o seu conhecimento para validar a farsa.
Ao ser questionado no ar sobre as exigências de isolamento durante o voo, Trump amenizou a situação com seu habitual humor ácido, mas sem disfarçar o tom provocativo aos repórteres:
“Provavelmente estávamos num voo perigoso, devido aos indivíduos desprezíveis com quem somos obrigados a lidar. A minha vida está sempre sob ameaça e o meu nome é o primeiro da lista do Irão… Mas se me acontecer alguma coisa, vocês também vão junto, não é? Talvez seja melhor vocês mudarem de profissão um dia destes.”
Embora o uso de aviões chamarizes seja uma tática conhecida da Guerra Fria — utilizada em momentos pontuais por ex-presidentes como George W. Bush e Barack Obama em zonas de conflito —, a logística de colocar o líder da nação mais poderosa do mundo em um caminhão de refeições acendeu debates éticos sobre os limites da segurança e da transparência democrática.
Para as autoridades de inteligência norte-americanas, no entanto, a gravidade dos relatórios sigilosos justificava qualquer esforço para preservar a vida do chefe de Estado. Como resumiu um antigo agente da operação: “Temos de levar a sério a palavra ‘secret’ (secreto) no nome do Serviço Secreto”.
Ainda assim, o episódio deixa uma ferida aberta entre o governo e a imprensa, dividida entre o alívio do desfecho seguro e a indignação por ter servido de peça de manobra em uma farsa militar. (com informações Euro News)