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Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026

Conheça a história da chikungunya, doença que está prestes de receber vacina inédita

Infecção provoca dor forte nas articulações que pode perdurar por meses ou anos

Michelly Perez - 16/06/2025 • 10:56

Foto: Lauren Bishop/CDC)

A doença febril aguda causada pelo vírus da chikungunya teve seu primeiro surto documentado oficialmente em 1952, no sudeste da Tanzânia, na África – daí o nome da enfermidade, que significa “aqueles que se dobram” na língua local Makonde. Acredita-se, no entanto, que a chikungunya já circulava muito antes pelo continente africano, e que foi se espalhando pela Ásia e pelas Américas nos séculos XIX e XX. O vírus foi identificado no Brasil somente em 2014, mas já soma 1,4 milhão de casos prováveis e 1.224 óbitos em dez nos.

A enfermidade chegou ao Brasil em 2014. Os primeiros casos foram identificados no município do Oiapoque, no Amapá, totalizando 1.444 infectados; no mesmo ano, outra epidemia se deu em Feira de Santana, na Bahia, com 1.473 casos. Com circulação local desde então, o Brasil logo se tornou o epicentro da enfermidade nas Américas, devido à alta densidade populacional e ao clima favorável para a proliferação do vetor. Em 2016, o vírus já estava presente em todas as regiões do país, atingindo a marca de 277 mil casos prováveis.

Entre 2023 e 2024, o número de casos de chikungunya no país aumentou em 68%, indo de 158 mil para 265 mil, de acordo com o Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde. A mesma tendência foi observada para a dengue, doença mais prevalente e com quatro sorotipos, que subiu de 1,6 milhão para 6,6 milhões de casos no mesmo período.

Diagnóstico

O diagnóstico da chikungunya também é um desafio: sua semelhança com dengue e Zika e a falta de testes específicos aumentam a chance de subnotificação. As três infecções que circulam no Brasil provocam quadro clínico parecido, como febre, dor de cabeça, dor nas articulações e manchas vermelhas no corpo, mas possuem desfechos e consequências distintas.

Vacina contra doença negligenciada

A chikungunya, assim como a dengue, é considerada pela OMS uma Doença Tropical Negligenciada (DTN) – grupo que engloba enfermidades predominantes em regiões de baixa e média renda e que, historicamente, receberam menos atenção de políticas públicas de saúde e menos investimentos em pesquisa. Por não ser tão prevalente quanto a dengue, a chikungunya acaba atraindo ainda menos recursos: entre 2004 e 2020, a doença ficou em 9º lugar entre as DTNs pesquisadas no Brasil, enquanto dengue, leishmaniose e tuberculose receberam os maiores investimentos em estudos.

Sem um antiviral específico disponível, o tratamento da chikungunya é feito com antitérmicos e analgésicos para aliviar os sintomas, além de repouso e hidratação. Já a prevenção envolve medidas de controle do Aedes aegypti, como eliminação dos pontos de água parada para evitar a proliferação dos mosquitos, que depositam seus ovos nesses locais.

No entanto, a prevenção e o combate à chikungunya devem entrar em uma nova fase com a aprovação, concedida em abril pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva. O imunizante de dose única é o primeiro contra a enfermidade a ser registrado no mundo e também foi aprovado para uso nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa.

Eficácia

Batizada de IXCHIQ, a vacina mostrou resultados positivos nos ensaios clínicos. Em adultos, 98,9% dos imunizados produziram anticorpos neutralizantes, com níveis que se mantiveram robustos por ao menos seis meses. Já em adolescentes, houve produção de anticorpos em 100% dos voluntários com infecção prévia e em 98,8% daqueles sem contato anterior com o vírus.

A inclusão da vacina no Programa Nacional de Imunizações (PNI) está sendo analisada pelo Ministério da Saúde, e a expectativa é que o imunizante seja um importante aliado no controle da doença. (com informações Butantan)

Tags: Butantan, prevenção, saúde,