Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Falta de reequilíbrio do contrato pela prefeitura é o que estaria travando novos investimentos
Michelly Perez - 17/06/2025 • 10:54
Foto: Izaias Medeiros
As oitivas da CPI do transporte coletivo de Campo Grande seguem dando o que falar. Ontem (16), foi a vez do ex-presidente do Consórcio Guaicurus, João Resende, e o atual diretor jurídico-administrativo, Leonardo Dias Marcello darem as suas versões sobre o sistema oferecido e o encontro foi marcado por debates acalorados e até lágrimas.
Mantendo o jogo de empurra-empurra, o primeiro a depor foi João Resende, que foi diretor-presidente do Consórcio Guaicurus entre 2012, até janeiro de 2025, admitiu que o Consórcio não está cumprindo cláusulas contratuais, como a renovação periódica da frota, que deveria manter uma idade média de cinco anos.
“A Prefeitura de Campo Grande está protelando essa questão do reequilíbrio e colocou o Consórcio em uma situação caótica. Hoje, o sistema opera com prejuízo claro e evidente”, afirmou Resende. A falta de investimento em novos ônibus foi justificada pela ausência de retorno financeiro ao Consórcio operador do sistema.
O debate foi marcado pelo silêncio de Rezende aos questionamentos da vereadora Ana Portela, no entanto, após esse episódio ele retornou com as respostas, parando apenas para chorar ao relatar que é um apaixonado pelo sistema de transportes e que a qualidade dos veículos não representa em riscos para os usuários.
João Resende também comentou a determinação da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg), que obrigou o Consórcio a substituir 98 ônibus antigos por novos veículos. Para ele, a exigência é impraticável diante da situação financeira da empresa.
“Não temos dinheiro para assumir prestação de novos ônibus e não vamos comprá-los enquanto não houver condições financeiras. Não vamos aplicar um golpe na cidade. Estamos em uma situação vexatória”, declarou Resende.
Os vereadores questionaram o porquê de o Consórcio não romper o contrato com o município. O ex-presidente respondeu que ainda acredita que a Prefeitura possa cumprir sua parte.
“Temos esperança de que a Prefeitura vá honrar o contrato. Além disso, temos investimento pesado no sistema, e há legislações que versam sobre quebra contratual”, afirmou João Resende.
A segunda oitiva do dia foi de Leonardo Dias Marcello, diretor jurídico-administrativo do Consórcio, que atua na função há um ano e dois meses. Ele reforçou que os investimentos no sistema foram paralisados devido à ausência de revisão contratual por parte do Poder Executivo.
“ Se o município quiser que a gente faça investimento em frota com ar-condicionado, que a gente assuma terminal, nós estamos dispostos. Só que, pra isso acontecer, a gente precisa avaliar a situação do lado empresarial. A gente não pode estar investindo recursos em um sistema que não te remunera adequadamente. E quem tem obrigação de garantir isso é o Poder concedente”, disse Leonardo.
No início dos trabalhos desta segunda-feira foi apresentado novo balanço das oitivas da CPI. Até o momento foram catalogadas 616 denúncias, demonstrando o alto nível de engajamento da população com os trabalhos da CPI e sua preocupação com a qualidade do transporte coletivo da Capital.
As últimas oitivas desta terceira fase da CPI acontecem na quarta-feira (18), quando serão ouvidos a partir das 13h Themis de Oliveira, atual diretor-presidente do Consórcio, e Paulo Constantino, sócio-proprietário do Consórcio Guaicurus.
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