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Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026

Intoxicação por Metanol: Médica explica como agir em caso de emergência

Confira as principais orientações e confira os principais sintomas provocados pela intoxicação

Michelly Perez - 09/10/2025 • 10:10

Foto: reprodução

A intoxicação por metanol tem assustado muitas pessoas no Brasil, especialmente devido aos casos recentes de bebidas adulteradas com essa substância. A gastroenterologista Luciane França Ramos, do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), esclarece o que é o metanol, seus riscos e como agir corretamente em uma situação de emergência.

O que é o metanol?

O metanol, também conhecido como álcool metílico, é um tipo de álcool usado na indústria para fabricar solventes, tintas, plásticos, pesticidas e outros produtos. Ele é extremamente útil em processos industriais, mas se ingerido ou inalado de forma inadequada, especialmente em bebidas adulteradas, pode ser fatal.

Após ser ingerido, o metanol é metabolizado no fígado em substâncias tóxicas como o formaldeído e o ácido fórmico, que atacam diversos órgãos vitais. Os principais afetados são os olhos (podendo causar cegueira), o sistema nervoso central, rins, coração, fígado e pulmões.

Quais são os sinais de alerta?

A intoxicação por metanol pode se manifestar de diferentes formas, dependendo dos órgãos atingidos. Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Distúrbios visuais (como visão turva ou perda de visão)

  • Náuseas e vômitos

  • Dor abdominal

  • Confusão mental

  • Sonolência

  • Tontura

  • Dor de cabeça

  • Fraqueza muscular

Esses sintomas geralmente aparecem entre 6 a 24 horas após a ingestão de bebidas adulteradas com metanol.

Como agir?

Em situações de possível intoxicação por metanol, a médica recomenda agir rapidamente, buscando atendimento médico de emergência. “É fundamental não induzir o vômito e evitar a ingestão de água ou leite, pois isso pode agravar a situação. Mantenha a pessoa sentada ou deitada de lado para reduzir o risco de aspiração pulmonar”, explica Luciane França. A intoxicação pode levar a um quadro de sonolência ou torpor, dificultando a respiração normal.

Outro passo importante é guardar uma amostra da bebida ingerida para análise laboratorial, o que ajudará a confirmar a presença do metanol. Embora nem todos os hospitais estejam equipados para tratar essa intoxicação com antídotos específicos, é essencial que o paciente receba suporte clínico avançado, como ventilação e monitoramento constante.

Consequências da intoxicação

Se não tratada rapidamente, a intoxicação por metanol pode levar a consequências graves e até à morte. Entre as complicações agudas estão:

  • Cegueira irreversível

  • Coma

  • Insuficiência renal

  • Falência múltipla de órgãos

Mesmo com o tratamento adequado, o paciente pode sofrer sequelas permanentes, como problemas de visão, déficits de memória e concentração, alterações motoras e falhas nas funções renais e hepáticas.

Tratamento e prevenção

A intoxicação por metanol exige um tratamento urgente, que inclui a administração de antídotos, como o fomepizol ou etanol, que ajudam a bloquear a metabolização do metanol em substâncias tóxicas. No entanto, a médica alerta que nem todos os locais de atendimento médico possuem esses antídotos, pois eles são importados e a Anvisa está trabalhando para agilizar o processo de distribuição.

A prevenção é fundamental. Evitar o consumo de bebidas de origem duvidosa e sempre desconfiar de bebidas alcoólicas com sabor ou aparência estranhos pode salvar vidas.

Tags: HUMAP-UFMS, Metanol, saúde,