Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Investigação identificou a atuação estruturada de um grupo especializado na importação irregular de mercadorias estrangeiras
Michelly Perez - 03/12/2025 • 08:50
Foto: Divulgação
O fim do casamento do suposto líder de uma organização criminosa não trouxe apenas mágoas — trouxe também uma operação federal inteira. Na manhã desta quarta-feira (3), a Receita Federal e a Polícia Federal deflagraram a Operação Uxoris, um nome elegante para traduzir: foi a ex quem contou tudo.
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A investigação, que já vinha em curso, ganhou um reforço quando a ex-esposa do líder resolveu abrir o coração — e o boletim — relatando que seus documentos teriam sido usados para criar empresas de fachada.
Segundo a PF e a Receita, o grupo seria especialista em importar mercadorias estrangeiras sem nota, sem imposto e sem a menor vergonha, distribuindo os produtos por lojas em Campo Grande e plataformas de marketplace. Um amor proibido com o contrabando.
O esquema, nada romântico, envolvia ainda o famoso “dólar-cabo”, um jeitinho ilegal de mandar dinheiro para fora do país. Nas palavras da investigação: enquanto o amor ia embora por uma porta, o dinheiro ia por outra.
Com base nas provas reunidas, a Justiça Federal autorizou nove mandados de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo. Além disso, 20 pessoas físicas e jurídicas tiveram bens bloqueados, somando cerca de R$ 40 milhões — um baú de lembranças bem caro para um divórcio.
No total, 14 empresas também tiveram as atividades suspensas. Dá pra dizer que o “ex” não perdeu só a relação: perdeu o patrimônio, a privacidade e, quem sabe, a tranquilidade.
O nome da operação, Uxoris, significa “da esposa”, em latim. Uma homenagem justa — afinal, sem a denúncia dela, essa história talvez ainda estivesse trancada a sete chaves.