Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Município deve nomear interventor e apresentar à Justiça um plano com cronograma para regularizar o serviço
Michelly Perez - 18/12/2025 • 07:46
Foto: Marcos Maluf
Campo Grande amanheceu nesta quarta-feira (18) no quarto dia consecutivo sem transporte coletivo, escancarando o colapso de um serviço essencial e o impacto direto na vida de milhares de trabalhadores, estudantes e famílias que dependem dos ônibus para se locomover pela Capital.
Em meio ao agravamento da crise, a Justiça de Mato Grosso do Sul determinou a intervenção da Prefeitura de Campo Grande no contrato de concessão do transporte público urbano, firmado com o Consórcio Guaicurus. A decisão é da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos e estabelece prazo de 30 dias para que o município adote providências formais para instaurar o procedimento administrativo de intervenção.
Além disso, o Judiciário determinou que a prefeitura nomeie um interventor e apresente um plano de ação com cronograma para regularizar o sistema de transporte público da Capital. O descumprimento da ordem pode gerar multa diária de R$ 300 mil, limitada a 100 dias.
A decisão reconhece a gravidade da situação e reforça que o transporte coletivo é um serviço público essencial, cuja precarização afeta diretamente direitos fundamentais da população. A paralisação prolongada, somada a anos de reclamações sobre qualidade, frota sucateada e falhas na prestação do serviço, evidenciam a fragilidade do modelo atual de concessão.
Enquanto isso, quem paga a conta é a população. Sem ônibus, muitos campo-grandenses enfrentam longas caminhadas, gastos extras com transporte alternativo ou simplesmente deixam de trabalhar. A crise expõe não apenas o impasse entre poder público e concessionária, mas também a falta de soluções efetivas diante de um problema que se arrasta há anos.
A intervenção determinada pela Justiça surge como um passo decisivo, diante de um sistema que já demonstrava sinais claros de esgotamento. Agora, resta saber se a prefeitura irá agir com rapidez e responsabilidade para devolver à população um serviço que nunca deveria ter deixado de funcionar.
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