Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Em meio à seca, comunidade indígena aprende a coletar sementes nativas para recuperar nascentes e criar novas formas de renda em Porto Murtinho
Michelly Perez - 30/01/2026 • 09:13
Fotos: Alicce Rodrigues/Instituto Terra Brasilis
A falta de água no Pantanal deixou de ser uma “conversa para o futuro” e virou um desafio real para quem vive na aldeia Alves de Barros, no Território Indígena Kadiwéu. Mas, em vez de cruzar os braços, a comunidade decidiu agir. Na última terça-feira (27), mulheres da aldeia e os brigadistas do fogo trocaram as ferramentas de combate por um tesouro valioso: sementes nativas.
O problema é sério: o desmatamento ao redor das terras indígenas está secando as nascentes. Sem árvores, a água da chuva passa direto e não “alimenta” a terra. A solução? A restauração ecológica.
Com o apoio de biólogos da Fundação Neotrópica do Brasil, a turma aprendeu a identificar as “árvores mães”, colher as sementes no tempo certo e guardá-las com cuidado.

Para a moradora Elen Rocha, a oficina foi um abrir de olhos: “Aprendi que a gente pode produzir mudas, cuidar da terra e ainda ganhar um dinheiro com isso. Não sabia que nossas sementes tinham tanto valor”, contou ela, emocionada por descobrir que o quintal de casa pode ser a solução para o território.
Os famosos brigadistas Kadiwéu, conhecidos pela coragem no combate aos incêndios, agora também são especialistas em vida. Eles entenderam que cuidar da terra antes do fogo chegar é o melhor caminho.

“É um conhecimento que a gente leva para sempre. Ajuda a cuidarmos melhor do que é nosso”, afirmou Rubens Ferraz, um dos brigadistas participantes.
Essa ação faz parte de um projeto maior, o Vidas e Vozes Kadiwéu, realizado pelo Instituto Terra Brasilis em parceria com a Petrobras. O foco é dar protagonismo a quem realmente conhece o chão que pisa: as mulheres e os indígenas locais.
A ideia é que, no futuro, essas sementes virem mudas que vão reflorestar as margens dos rios e garantir que a água volte a correr farta para as próximas gerações.
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