Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Com 556 novas profissionais em 2025, companhia transforma o cenário industrial de Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas
Michelly Perez - 09/03/2026 • 08:58
Foto: divulgação
O barulho das máquinas e a imensidão das fábricas de celulose em Mato Grosso do Sul ganharam um toque mais feminino e diverso em 2025. O setor, historicamente dominado por homens, está abrindo passagem: só no último ano, a Suzano contratou 556 mulheres no estado. Na prática, isso significa que uma nova profissional começou a escrever sua história na empresa a cada 16 horas.
Esses números ganham rosto e voz em trajetórias como a de Vitória Gomes Valenga, de apenas 19 anos. Natural do Paraná, ela seguiu o caminho do pai e mudou-se para Ribas do Rio Pardo. Sem experiência prévia, mas com muita vontade de aprender, Vitória agarrou a oportunidade após um curso técnico em parceria com o Senai.
Hoje, como Mecânica de Manutenção, ela celebra mais do que um emprego: celebra a liberdade. “É minha primeira oportunidade profissional. Hoje tenho independência financeira e planos de crescer”, conta a jovem, que agora vê horizontes muito mais amplos.
Se para Vitória o setor de celulose é a porta de entrada, para Brucely Durutea dos Santos, de 48 anos, ele representa o reencontro com a própria autonomia. Moradora de Três Lagoas, Brucely já passou pela enfermagem e por frigoríficos, mas foi no viveiro da Suzano que ela reencontrou o fôlego para planejar o futuro.
“O trabalho me trouxe a possibilidade de reorganizar minha vida e retomar projetos parados. Ele devolve a sensação de pertencimento”, relata Brucely.
O avanço não é por acaso. A presença feminina — que hoje soma mais de 1,3 mil colaboradoras diretas na empresa em MS — é fruto de um esforço real para qualificar mulheres em áreas técnicas.
Segundo Angela Aparecida dos Santos, gerente de Gente e Gestão da companhia, o segredo está em criar ambientes acolhedores.
“Temos investido em formação e em espaços inclusivos para que elas possam, de fato, desenvolver uma carreira sólida na indústria”, explica.
Quando uma mulher entra na indústria de base florestal, ela quebra barreiras invisíveis. Para cada Vitória que aprende a mexer em um motor e cada Brucely que cuida de um viveiro, o mercado de trabalho se torna um pouco mais justo e equilibrado.
Em um estado que se consolida como o “Vale da Celulose”, ver que 30% das novas contratações da maior produtora do mundo são mulheres é um sinal claro: o futuro da nossa indústria também é feminino.