Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
iniciativa de Roberto Justus promete acelerar obras e expõe a lentidão das respostas públicas
Michelly Perez - 24/03/2026 • 11:25
Foto: Izaias Medeiros
Em Campo Grande, o déficit habitacional já não bate mais à porta — ele arrombou e entrou faz tempo. Enquanto milhares de famílias seguem tentando “fechar a conta” do aluguel, o poder público ainda patina para “assentar as bases” de uma solução real. E é justamente nesse cenário de obra parada que uma proposta da iniciativa privada começa a ganhar destaque.
Durante reunião na Câmara Municipal de Campo Grande, o empresário Roberto Justus apresentou um plano ambicioso: construir pelo menos 5 mil moradias populares, com início das obras ainda este ano. A ideia é usar tecnologia industrializada para acelerar o processo — algo que, na prática, pode fazer o que o setor público ainda não conseguiu: tirar projetos do papel e transformar em casa de verdade.
A proposta chega como quem resolve “colocar a mão na massa” — ou melhor, no aço. À frente da SteelCorp, Justus aposta em estruturas modernas que prometem reduzir custos e tempo de obra. Inicialmente, os materiais devem vir de São Paulo, mas a montagem será feita na Capital, com geração de empregos locais e promessa de capacitação de mão de obra.
E enquanto o setor privado fala em construir, a realidade escancara o tamanho do problema: a cidade tem uma demanda estimada de cerca de 30 mil moradias. Ou seja, mesmo com o novo projeto, ainda há um “bairro inteiro” de soluções que precisa sair do papel.
O contraste chama atenção. De um lado, propostas que tentam erguer soluções em ritmo acelerado. Do outro, políticas públicas que ainda caminham devagar, como se o problema pudesse esperar. Mas quem precisa de casa sabe: não dá mais para “empurrar com a barriga” — muito menos com o aluguel.
Se o projeto avançar, pode representar mais do que novas casas. Pode ser o início de uma mudança de cenário, onde a moradia deixa de ser promessa e passa a ser entrega. Até lá, Campo Grande segue entre discursos e estruturas — tentando, há anos, construir respostas para um problema que já virou urgência.
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