Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Evento realizado em Campo Grande consolida protagonismo do Brasil e reforça cooperação internacional
Michelly Perez - 30/03/2026 • 09:35
Encerramento da COP15, em Campo Grande. – Foto: Ueslei Marcelino/MMA
Realizada em Campo Grande, às portas do Pantanal, a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15 da CMS) terminou neste domingo (29) com avanços históricos para a conservação da biodiversidade mundial.
Pela primeira vez, 40 espécies, subespécies e populações foram incluídas ou reclassificadas nos Apêndices I e II da convenção — listas que reúnem, respectivamente, espécies ameaçadas de extinção e aquelas que dependem de cooperação internacional para sobreviver. Destas, 16 ocorrem no Brasil.
O resultado reforça o papel do país como liderança ambiental e fortalece o multilateralismo, uma das diretrizes da política externa brasileira. Durante a conferência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também anunciou a ampliação de áreas protegidas no Pantanal e no Cerrado, somando mais de 148 mil hectares.
Ao todo, foram aprovadas 69 propostas, incluindo emendas aos Apêndices, Ações Concertadas e resoluções. Entre os destaques estão medidas voltadas à proteção de rotas migratórias, corredores ecológicos e habitats críticos — considerados essenciais para a sobrevivência das espécies.
Entre as inclusões relevantes está o surubim-pintado, espécie estratégica para comunidades ribeirinhas, agora listado no Apêndice II. Também passa a integrar a lista o caboclinho-do-pantanal, ave típica da região, cuja proteção deve impulsionar ações de conservação no continente.
Outro avanço importante foi o Plano de Ação Regional para os bagres migratórios da Amazônia, como a dourada e a piramutaba, que reforça a cooperação entre países sul-americanos para preservar espécies fundamentais para a segurança alimentar e a economia local.
A ariranha, presente no Pantanal e na Amazônia, também ganhou reforço de proteção com sua inclusão nos Apêndices da convenção, assim como espécies de tubarões e raias ameaçadas.
Além das medidas voltadas diretamente à fauna, a COP15 aprovou uma iniciativa inédita para mobilizar recursos internacionais, com foco em apoiar países em desenvolvimento na implementação das ações de conservação.
A conferência reuniu mais de 2,4 mil participantes e marcou ainda o lançamento do Atlas das Rotas Migratórias das Américas, ferramenta inédita que mapeia o deslocamento de 622 espécies e deve orientar políticas públicas integradas no continente.
O Brasil seguirá na presidência da COP pelos próximos três anos, liderando a implementação das decisões aprovadas. Já a próxima edição, a COP16, será realizada em 2029, na cidade de Bonn, na Alemanha.
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