Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Caso em Campo Grande revela histórico de violência do suspeito e deixa rastro de dor na família
Michelly Perez - 07/04/2026 • 09:03
Foto: reprodução- internet
Em Campo Grande, a morte da subtenente da Polícia Militar Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, não é apenas mais um caso em investigação — é uma história marcada por dor, lembranças e sinais de alerta que, mais uma vez, escancaram a urgência do combate à violência contra a mulher.
Marlene foi encontrada morta a tiros dentro de casa, no bairro Estrela Dalva, na manhã de ontem (6). Inicialmente tratado como uma morte a esclarecer, o caso rapidamente ganhou novos contornos. O namorado da vítima, Gilberto Jarson, de 50 anos, foi preso em flagrante por feminicídio após apresentar versões contraditórias sobre o ocorrido. Segundo a polícia, ele chegou a alegar que a subtenente teria tirado a própria vida, mas a dinâmica da cena e os indícios periciais afastaram essa hipótese.
As contradições chamaram a atenção dos investigadores desde o início. Em diferentes momentos, o suspeito apresentou relatos divergentes sobre a posição da arma e as circunstâncias do disparo. Para a Polícia Civil, os elementos reunidos foram suficientes para caracterizar o crime como feminicídio.
O histórico do suspeito também pesa nas investigações. Conforme levantamento policial, ele já possuía registros por violência doméstica desde 2010, além de passagens por outros crimes. Ainda que não houvesse registros formais de agressão no relacionamento com Marlene, a delegada responsável pelo caso destacou que a ausência de denúncias não descarta a existência de um vínculo marcado por violência.
Enquanto a investigação avança, a dor ganha voz nas palavras de quem ficou. Na manhã desta terça-feira (7), o filho da subtenente publicou um relato nas redes sociais que comoveu familiares, amigos e colegas de farda.

“É até difícil definir qualquer legenda. Acho que nunca estamos de fato preparados pra ver partir alguém que nos deu a luz”, escreveu.
No texto, ele relembra a força e a presença marcante da mãe — uma mulher de fé, intensidade e afeto. Entre as memórias, destacou um momento simples, mas carregado de significado: o dia do próprio casamento, quando foi surpreendido pela chegada inesperada dela.
“Minha mãe sendo minha mãe”, resumiu, com carinho.
A fé também atravessa a despedida. O filho fala sobre o exemplo espiritual deixado por Marlene e a convicção de que ela “se encontra em um lugar sem dores, sem choro, sem tristeza”. Mas é na saudade que o relato encontra seu tom mais humano: a falta da risada, da voz alta ao cantar, das orações em família e da presença constante que, agora, se transforma em lembrança.
A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul lamentou a morte e manifestou solidariedade à família, destacando a trajetória da subtenente, que também foi uma das fundadoras da Polícia Militar Ambiental no estado.
O caso, no entanto, vai além da comoção. Ele reforça um padrão preocupante: a violência que muitas vezes começa silenciosa, sem registros formais, mas que pode evoluir para desfechos irreversíveis.
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