Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Parlamentar aponta falta de transparência e liga cobranças ao Banco Master, alvo de intervenção e investigações
Michelly Perez - 15/04/2026 • 08:45
Foto: Izaias Medeiros
A vereadora Luiza Ribeiro denunciou, ontem (14) na Câmara Municipal de Campo Grande, descontos considerados irregulares nos salários de servidores públicos municipais. Segundo a parlamentar, os valores estariam sendo direcionados a instituições ligadas ao Conglomerado Master, em um processo que ela classificou como “confisco” de rendimentos.
De acordo com a denúncia, servidores ativos, aposentados e pensionistas têm relatado descontos mensais associados ao cartão consignado conhecido como “Credcesta”. Muitos afirmam que as cobranças haviam sido interrompidas durante a crise enfrentada pela instituição financeira, mas voltaram a aparecer recentemente na folha de pagamento — agora vinculadas ao Banco Master.
“Os servidores estão denunciando e procurando a Justiça. Esse cartão havia desaparecido e, de repente, os descontos voltaram. Na prática, estão sangrando o salário dos trabalhadores para cobrir um investimento temerário com recursos da previdência”, afirmou a vereadora durante a sessão.
Relatos apresentados pela parlamentar indicam casos de descontos elevados. Em uma das situações citadas, uma servidora afirma ter redução mensal de cerca de R$ 580 em seus vencimentos. Para Luiza Ribeiro, a medida ocorre sem transparência e levanta questionamentos sobre sua legalidade.
Diante do cenário, a vereadora protocolou uma indicação solicitando a suspensão imediata dos descontos. O pedido foi encaminhado à prefeita Adriane Lopes e ao presidente do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG), Marcos Cesar Malaquias Tabosa.
No documento, a parlamentar requer a interrupção de todos os descontos vinculados a empréstimos consignados contratados junto às instituições do conglomerado, incluindo Banco Master S/A, Banco Master de Investimento S/A, Banco Letsbank S/A e Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.
A preocupação se intensifica após o Banco Central decretar, em novembro de 2025, regime especial para o Conglomerado Master, diante de irregularidades e do comprometimento de sua situação financeira.
Além disso, o IMPCG investiu cerca de R$ 1,39 milhão em Letras Financeiras do banco — aplicação sem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Com a liquidação extrajudicial da instituição, o instituto passou a integrar a lista de credores, o que pode comprometer a recuperação integral dos valores.
O caso ganha contornos ainda mais graves diante da investigação da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que apura crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, incluindo a emissão de títulos de crédito falsos. Entre os investigados está o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao banco.
Para a vereadora, o conjunto de fatores reforça a necessidade de intervenção imediata.
“Não é aceitável que servidores tenham seus salários comprometidos para sustentar um sistema de crédito abusivo, ainda mais diante de decisões que colocaram em risco recursos da previdência”, concluiu.
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