O Senado Federal rejeitou, na noite desta quarta-feira (29), a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, impondo uma derrota política histórica ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O nome do atual advogado-geral da União recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários, além de uma abstenção, ficando abaixo dos 41 votos necessários para aprovação no plenário.
A decisão marca a primeira rejeição de um indicado ao STF pelo Senado em mais de 130 anos. Antes da votação em plenário, Messias havia conseguido aprovação apertada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), por 16 votos a 11, após uma sabatina de quase oito horas.
A derrota surpreendeu aliados do Planalto e expôs dificuldades de articulação política do governo junto à base no Congresso. Nos bastidores, parlamentares apontaram resistências relacionadas ao alinhamento de Messias com o Palácio do Planalto, além de divergências internas sobre a condução da indicação.
Após o resultado, Jorge Messias afirmou respeitar a decisão da Casa e classificou o processo como parte do funcionamento democrático das instituições. Em declaração à imprensa, destacou que enfrentou o processo com serenidade e reafirmou confiança no sistema republicano.
A repercussão foi imediata no meio jurídico. O ministro Edson Fachin declarou respeito à decisão soberana do Senado, ressaltando a legitimidade constitucional do rito de aprovação. Já o ministro André Mendonça lamentou a rejeição e afirmou que o país “perde a oportunidade de ter um grande ministro” na Suprema Corte.
A vaga no STF permanece aberta, e caberá ao presidente Lula indicar um novo nome para apreciação do Senado. O episódio amplia a pressão política sobre o governo em um momento de disputas institucionais e articulações decisivas no Congresso Nacional.