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Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026

Bastidores da ciência: Como cientistas de MS fazem check-up em sucuri e arraias sem anestesia

Parceria entre Bioparque Pantanal e UFMS usa tecnologia de ponta e técnicas de "basta um tubo"

Michelly Perez - 18/05/2026 • 10:09

Foto: bioparque

No coração do Pantanal, uma sucuri gigante entra calmamente em um tubo de acrílico enquanto uma equipe de seis profissionais acompanha cada movimento. Ao lado, duas arraias conhecidas como Fernanda Montenegro e Fernanda Torres passam por exames minuciosos. A cena parece saída de um documentário da vida selvagem, mas faz parte da rotina de cuidados do Bioparque Pantanal.

Em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, o maior aquário de água doce do mundo vem realizando protocolos preventivos para monitorar a saúde de serpentes e arraias, garantindo bem-estar e conservação das espécies.

Tecnologia e saúde animal

O procedimento chama atenção pela delicadeza e precisão. No caso da sucuri, não houve necessidade de sedação. Para evitar estresse, os biólogos conduziram o animal para um tubo de contenção e cobriram sua visão, criando um ambiente mais tranquilo durante o ultrassom.

Segundo o médico-veterinário Edson Pontes, o objetivo é fazer com que o animal se sinta seguro durante todo o processo.

“Tudo é feito de maneira rápida, cuidadosa e sem causar desconforto”, explicou.

Além do impacto visual, os exames revelam curiosidades pouco conhecidas sobre os répteis. Diferentemente dos mamíferos, as cobras não possuem diafragma. Isso faz com que todos os órgãos fiquem reunidos em um único espaço chamado cavidade celomática. O monitoramento permite acompanhar o funcionamento do fígado, rins e demais órgãos internos da serpente.

Enquanto isso, as arraias “Leopoldi”, batizadas carinhosamente em homenagem às atrizes Fernanda Montenegro e Fernanda Torres, também passaram por exames de imagem e análises clínicas. O acompanhamento inclui coleta de sangue e interpretação técnica feita por especialistas da universidade.

Para os professores e estudantes da UFMS, a parceria vai além da pesquisa acadêmica. O professor Paulo Antonio Andreussi destaca que o contato direto com espécies pantaneiras transforma o Bioparque em um verdadeiro laboratório vivo.

“É uma troca de experiências muito rica. Os estudantes conseguem observar na prática como funciona o manejo e o cuidado com animais silvestres”, afirmou.

Já o veterinário e professor Diogo Helney Freire explica que os dados coletados ajudam a garantir o desenvolvimento saudável dos animais e reforçam os protocolos sanitários adotados no Bioparque.

Cuidado em cada detalhe

A diretora-geral do espaço, Maria Fernanda Balestieri, afirma que os resultados comprovam a eficácia do trabalho desenvolvido.

“Cada espécie recebe um tratamento baseado em ciência e respeito à vida. Essa cooperação fortalece o Bioparque como referência em conservação, preservação e turismo científico”, destacou.

Entre tubos de acrílico, ultrassons e cuidados silenciosos, o que acontece nos bastidores do Bioparque Pantanal mostra que preservar a vida selvagem exige ciência, sensibilidade e uma dedicação diária que o público quase nunca vê.

Tags: Bioparque, Check Up, Ciência,