Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Entidades do agronegócio e da área jurídica alertam para aumento dos conflitos fundiários em Mato Grosso do Sul.
Michelly Perez - 18/06/2026 • 09:36
Foto: Marcos Maluf (Aprosoja MS)
A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) reuniu, ontem (17), representantes do setor produtivo, da área jurídica e de entidades do agronegócio para discutir o avanço das invasões em propriedades rurais e cobrar providências das autoridades. A coletiva foi realizada na Casa Rural, em Campo Grande, e conduzida pelo presidente da entidade, Marcelo Bertoni.
De acordo com dados divulgados pela Famasul, mais de 12 milhões de hectares no Brasil estão envolvidos em disputas fundiárias. Em Mato Grosso do Sul, cerca de 275 mil hectares fazem parte de áreas em processo de delimitação ou declaração, mas ainda sem decisão definitiva e homologação presidencial.
Segundo Marcelo Bertoni, essas propriedades permanecem sob posse legal dos produtores rurais, que adquiriram as áreas de boa-fé e possuem documentação regular. Atualmente, o Estado contabiliza aproximadamente 150 áreas ocupadas irregularmente, situação que, segundo as entidades presentes, aumenta a insegurança jurídica, social e econômica.
“A insegurança jurídica prolongada cria um ambiente propício para o aumento das tensões no campo”, afirmou o presidente da Federação.
Entre os episódios recentes mencionados está a ocupação da Fazenda São Sebastião, em Sidrolândia, registrada no último sábado. Também foi citado um caso em andamento em Amambai e lembrado o episódio ocorrido em 2025, em Caarapó, quando uma propriedade rural foi incendiada.
Ao comentar a situação em Sidrolândia, Bertoni afirmou que o boletim de ocorrência relata fatos graves, como uso de armas, restrição da liberdade de funcionários e familiares, ameaças e danos ao patrimônio, incluindo incêndio em estruturas da fazenda e furto de maquinários.
Durante a coletiva, as entidades ressaltaram que a Constituição Federal assegura o direito de propriedade e prevê mecanismos legais para a resolução dos conflitos fundiários. Também defenderam que invasões, depredações, ameaças e restrições ilegais à liberdade sejam tratadas como crimes e apuradas pelas autoridades competentes.
Outro ponto destacado foi a necessidade de evitar generalizações. Segundo os participantes, os casos discutidos envolvem ações atribuídas a grupos específicos e não devem ser associados às comunidades indígenas de forma ampla.
“A paz no campo precisa ser inegociável. Por isso, cobramos providências urgentes para impedir a escalada dos conflitos e assegurar que produtores rurais, trabalhadores, comunidades indígenas e toda a sociedade sul-mato-grossense possam viver e produzir em um ambiente de segurança e estabilidade”, declarou Bertoni.
Participaram da coletiva representantes da Associação Brasileira dos Produtores de Ovinos (ABPO), da Acrissul, da Aprosoja/MS, da OCB/MS e da Reflore/MS. Também estiveram presentes o advogado da Famasul, Gustavo Passarelli da Silva, o presidente da Comissão de Assuntos Agrários e Agronegócio da OAB/MS, Thiago Amorim Silva, e os diretores da Famasul Frederico Stella e Fábio Caminho.
Representando a Aprosoja/MS, o presidente Jorge Michelc reiterou a posição da entidade contrária às invasões de propriedades rurais e defendeu o respeito à legislação e ao direito de propriedade como pilares para a estabilidade e o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul.
Ao final do encontro, as entidades reafirmaram o compromisso com a defesa do Estado Democrático de Direito, da segurança jurídica e da busca por soluções definitivas para os conflitos fundiários.
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