Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Entre processos e decisões diárias, magistrada encontra no esporte uma forma de equilibrar pressão do trabalho e bem-estar emocional
Michelly Perez - 24/06/2026 • 09:05
Foto: reprodução
Nem o céu nublado do último sábado (20) tirou o ritmo dos participantes do treinão preparatório para a 4ª Corrida dos Poderes, em Três Lagoas. Entre eles, uma presença que chama atenção não apenas pelo percurso, mas pela rotina fora das pistas: a juíza Janine Rodrigues de Oliveira Trindade, da Vara do Juizado Especial Cível e Criminal.
Esta foi a segunda participação consecutiva da magistrada no evento. Mais do que lazer, a corrida se tornou parte de uma estratégia pessoal para lidar com a intensidade de uma rotina marcada por decisões urgentes, alto volume de processos e pressão constante dentro do Judiciário.
Há 15 anos atuando na comarca de Três Lagoas, Janine lida diariamente com cerca de 5 mil novos processos por ano, o que representa uma média de aproximadamente 400 casos por mês. As demandas vão de conflitos cíveis a questões sensíveis, como saúde, exigindo decisões rápidas e emocionalmente complexas.
No meio dessa rotina acelerada, o esporte surgiu como contraponto. Em um cotidiano marcado por horas em frente ao computador e longas jornadas de trabalho, a magistrada encontrou na corrida uma forma de reorganizar o corpo e a mente.
“Com a rotina estressante e atarefada, encontrei na corrida uma válvula de escape”, afirma. Para ela, os efeitos vão além do físico. “Ao incorporar a atividade no dia a dia, também vieram mudanças na disposição, na alimentação e em como encarar os desafios”.
A prática já faz parte da agenda semanal. Três vezes por semana, ainda no início da manhã, Janine corre antes de seguir para o fórum. Segundo ela, a diferença é perceptível no desempenho ao longo do dia.
“Nos dias em que eu corro, chego ao fórum com uma energia muito maior para lidar com os desafios e todas as questões que envolvem o nosso trabalho”, relata.
Além do corpo, o impacto também chega ao emocional — um ponto sensível em uma profissão que lida diariamente com conflitos e decisões que afetam diretamente a vida das pessoas.
“A corrida nos deixa mais fortes mentalmente. Nas situações difíceis, eu sinto que ela ajuda a enfrentar melhor os desafios”, diz.
A experiência, que começou de forma individual, já começa a se expandir para o ambiente de trabalho. No treinão do último sábado, Janine esteve acompanhada do assessor Renato Moura, que passou a praticar corrida há cerca de um ano, após incentivo da própria magistrada.
“Tenho buscado manter uma rotina de atividade física, porque durante a corrida a gente consegue se desligar das preocupações e voltar mais leve para o dia a dia”, afirma.
A ideia agora é ampliar a participação de colegas em próximas edições. Para Janine, o esporte também cumpre um papel de integração entre equipes, criando um espaço diferente fora do ambiente formal do Judiciário.
“Também tem o lado social. A gente faz amigos, conversa durante a corrida. É uma união de coisas boas, que acaba envolvendo até a equipe”, conta.
Ao final do percurso, ela reforça que o primeiro passo não precisa ser grande para gerar mudança.
“Não precisa começar correndo. Pode ser uma caminhada. Aos poucos você evolui e leva essa sensação de ‘eu consigo’ para outras áreas da vida”, orienta.
Janine segue transformando a corrida em mais do que um exercício físico — mas em um ponto de equilíbrio entre a exigência do trabalho e a busca por qualidade de vida. (com informações TJMS)
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