A Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (FETEMS) e seus 74 sindicatos filiados divulgaram, nesta quarta-feira (24), uma nova atualização do ranking salarial dos professores da rede estadual e das redes municipais de ensino. O levantamento joga luz sobre diferenças na remuneração da categoria e busca ampliar o debate sobre a valorização dos profissionais da educação no estado.
O estudo compara os salários pagos a docentes com jornada de 40 horas e verifica o cumprimento da Lei nº 11.738/2008, que estabelece o Piso Salarial Nacional do Magistério. Em 2026, o valor definido é de R$ 5.130,63. Segundo a federação, parte dos municípios sul-mato-grossenses ainda não atinge o piso, enquanto outros o cumprem formalmente, mas sem estrutura de carreira considerada adequada pela entidade.
Além da comparação com o piso nacional, o levantamento também aponta os municípios que mais valorizam a formação acadêmica dos professores, especialmente aqueles com nível superior, levando em conta a progressão na carreira e os vencimentos ao longo do tempo.
Além do salário
Para a FETEMS, a discussão vai além do salário inicial. A entidade defende que temas como 1/3 de hora-atividade, formação continuada e progressões funcionais precisam ser considerados como parte central da valorização do magistério.
A presidenta da FETEMS, professora Deumeires Morais, afirma que a divulgação do ranking tem caráter de mobilização e transparência. Segundo ela, o objetivo é estimular a sociedade e os gestores públicos a refletirem sobre o cumprimento da legislação e as condições de trabalho na educação.
“Ao tornar públicas essas informações, a FETEMS busca estimular o debate sobre a valorização dos profissionais da educação e fortalecer a cobrança para que todos os gestores cumpram a legislação”, afirmou.
Deumeires também destaca que a valorização da educação deve ser compreendida como investimento social. Para ela, o cumprimento das metas previstas no Plano Nacional de Educação é fundamental para reduzir desigualdades e melhorar a qualidade do ensino público.
“Assim como a população cumpre suas obrigações e contribui para o financiamento dos serviços públicos, é legítimo cobrar dos gestores o compromisso com uma educação pública de qualidade”, completou.
O ranking será utilizado pela federação como instrumento de pressão e acompanhamento das políticas salariais no Estado, reforçando a pauta histórica da categoria por melhores condições de trabalho e valorização da carreira docente.
ACP e prefeitura se reúnem hoje
A Associação Campo-grandense de Professores (ACP) se reúne nesta quarta-feira (24) com representantes da Prefeitura de Campo Grande para discutir o pagamento do reajuste salarial de 4,5% aos servidores da educação municipal. A reunião deve tratar da forma e do prazo de implementação do aumento, que é reivindicado pela categoria.
O encontro ocorre em meio a cobranças dos profissionais da educação pela efetivação do reajuste, considerado pela entidade como essencial para recompor perdas salariais e garantir a valorização da carreira docente.