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Campo Grande - quarta-feira, 15 de julho de 2026

Ponte da Rota Bioceânica deve ter “beijo” entre os lados brasileiro e paraguaio nesta quarta-feira

União das duas estruturas sobre o rio Paraguai marcará um dos momentos mais simbólicos da obra que ligará Porto Murtinho a Carmelo Peralta

Michelly Perez - 15/07/2026 • 08:54

Foto: reprodução- MOPC

A construção da ponte internacional da Rota Bioceânica deve viver um momento histórico nesta quarta-feira (15). Está prevista a união das duas estruturas que avançam sobre o rio Paraguai, ligando definitivamente Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta, no Paraguai. Conhecida na engenharia como o “beijo da ponte”, a etapa marca o encontro das duas frentes de construção e simboliza a reta final da obra.

Considerada uma das principais intervenções de infraestrutura da América do Sul, a ponte é um dos pilares do Corredor Rodoviário Bioceânico, que ligará os portos brasileiros no Oceano Atlântico aos portos chilenos no Oceano Pacífico, passando ainda pelo Paraguai e pela Argentina.

Com 1.294 metros de extensão, a estrutura contará com um trecho estaiado de 632 metros e um vão central de 350 metros, tornando-se o principal acesso terrestre ao Chaco paraguaio.

Menos tempo para chegar à Ásia

Quando toda a Rota Bioceânica estiver concluída, a expectativa é reduzir em cerca de 4 mil milhas náuticas o percurso entre a América do Sul e os mercados asiáticos.

As estimativas apontam que o transporte poderá ser realizado em aproximadamente 37 dias, contra até 49 dias pela rota tradicional que utiliza o Porto de Santos. A redução também deve impactar os custos logísticos. Um contêiner de 20 pés embarcado pelo porto chileno de Antofagasta rumo a Xangai, por exemplo, terá custo estimado em US$ 1.520, enquanto o trajeto atual via Santos gira em torno de US$ 2.170.

Corredor terá quase 2,4 mil quilômetros

O Corredor Bioceânico terá aproximadamente 2.396 quilômetros, distribuídos entre Brasil (890 km), Paraguai (605 km), Argentina (531 km) e Chile (370 km).

No Paraguai, a rodovia atravessará o Chaco e conectará regiões produtoras aos principais portos e fronteiras internacionais, fortalecendo a integração comercial entre os quatro países.

Desenvolvimento para Porto Murtinho e o Chaco

Além dos ganhos logísticos, a expectativa é de um forte impacto econômico na região. O governo paraguaio projeta expansão da produção agrícola e florestal, além da instalação de novas indústrias, parques logísticos e empresas voltadas à exportação.

Em Mato Grosso do Sul, Porto Murtinho deve se consolidar como a principal porta de entrada brasileira da Rota Bioceânica, atraindo investimentos em logística, comércio, hotelaria, gastronomia e serviços ligados ao transporte de cargas.

Financiada pela Itaipu Binacional, a ponte recebeu investimento de cerca de US$ 103 milhões e é executada pelo Consórcio PYBRA. O “beijo” entre as duas estruturas representa um dos momentos mais aguardados da construção e aproxima a entrega de uma obra considerada estratégica para o comércio internacional e para o desenvolvimento econômico da região Centro-Oeste.

Tags: Marco Histórico, Ponte, Rota Bioceânica,