Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Seca prejudicou a produção e prejuízo pode chegar aos R$ 11 milhões em Mato Grosso do Sul
Michelly Perez - 22/05/2024 • 07:30
Estiagem prejudicou a produtividade/Foto: aprosoja-MS
Na safra 2023/2024, Mato Grosso do Sul expandiu sua área de soja (4,2 milhões) em 5,2% em comparação com o ciclo anterior. No entanto, a produtividade foi de 48,84 sc/ha, uma redução de 21,8%. A produção resultante foi de 12,3 milhões de toneladas, uma retração de 17,7%.
Para o presidente da Aprosoja/MS,Jorge Michelc, toda a sociedade perde quando a produção no campo cai. “Olhando pelo aspecto financeiro do produtor do nosso Estado, em comparação com a safra anterior, haverá uma diminuição aproximada em seu fluxo de caixa na ordem de 11 milhões de reais a menos, comprometendo sensivelmente sua capacidade de fazer frente a todos os seus compromissos, pois quando a agricultura enfraquece, todos os ramos da economia sofrem com a queda da colheita”, reflete.
As lavouras de soja ocupam 4,2 milhões de hectares de Mato Grosso Sul. Do total produzido, pouco mais de 70% vão para a exportação. Os principais mercados consumidores do grão são a China (68%) e a Argentina com (23%). O Estado ocupa a quarta posição no cenário nacional de produção da proteína.
“Este ano, a área de soja atingiu um novo recorde, continuando sua tendência de crescimento constante. No entanto, a seca deste ano prejudicou a produção, que poderia ter mantido a média de crescimento dos últimos 10 anos de 6,8%”, relata o coordenador técnico da Aprosoja MS, Gabriel Balta.
De acordo com dados do projeto Siga/MS, executado pela Aprosoja/MS, a produtividade inicialmente projetada era de 54 sc/ha. Contudo, após uma revisão em abril, a produtividade foi reajustada para 50,5 sc/ha. Isso representa uma redução de 9,6% em relação à projeção inicial. A produtividade final de 48,84 sc/ha é a terceira pior nos últimos 10 anos.
“É importante lembrar que, apesar desses números, os avanços na tecnologia de cultivares e no setor como um todo têm sido enormes. Portanto, o impacto dessas reduções é ainda mais significativo”.
Em relação à produção total, houve uma redução na estimativa inicial de 1,47 milhão de toneladas, ou seja, uma queda de 10,6%. Ao analisar o histórico dos últimos 10 anos, fica evidente que perdemos uma grande eficiência no cultivo da soja.
De acordo com o analista econômico da Aprosoja/MS, Mateus Fernandes, para evitar perdas na comercialização dos grãos, devido a uma baixa nos preços, uma das estratégias que têm sido adotadas pelos agricultores é o carrego de estoques para comercialização futura.
“Essa prática visa tirar vantagem dos momentos mais favoráveis através da armazenagem do grão para ser comercializado em períodos mais propícios, quando os preços estiverem maiores. A tomada de decisão nessa estratégia requer uma análise cuidadosa das condições de mercado, incluindo preços futuros e prêmios oferecidos. Outra análise que deve ser feita também é a de capacidade estática de armazenagem, visto que existe um déficit na capacidade de armazenagem de grãos que pode, inclusive, impactar de forma negativa no preço, trazendo perdas ao invés de ganhos na comercialização”, finaliza.
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