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Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026

“Quando se ‘vira’ mãe a atenção não é só do filho”: explica crossfiteira que deu à luz a gêmeas

Rotina de academia é dividida com as pequenas Isabelle e Melinda de 1 ano e onze meses

Michelly Perez - 02/07/2024 • 10:00

Montagem/Fotos: arquivo pessoal

A maternidade pode ser resumida em uma palavra “desafiadora”. Conciliar os projetos pessoais, cuidados com a casa, a vida profissional e ainda ter um tempo para o autocuidado, nem sempre é uma tarefa fácil. Tamires Araujo,28 anos, arquiteta e mãe das gêmeas, sabe muito bem como é tudo isso.

“Treinar é um divisor de águas no meu dia. Quando não vou me sinto culpada por não ter tirado esse tempo pra mim, vale o esforço até quando não estamos muito animadas. Nós mães precisamos tirar um tempo para cuidar de nós, nem que seja para fazer uma simples caminhada ou as unhas, deixa a nossa autoestima lá em cima. Não somos um robô e muitas vezes acabamos esquecendo disso. Então é importante ter um tempo, nem que seja pra lavar um cabelo, sentar e assistir uma série, ouvir uma música, tomar um café olhando pro céu, é essencial, faz bem pro corpo, para a mente e para a saúde”, reforça.

Tamires só parou de treinar no 7º mês de gestação gemelar

Apaixonada por CrossFit e pelo trabalho na área da construção civil, ela dividiu com a Revista A Foto como é trilhar o caminho para se reencontrar após a gestação.

“Sou arquiteta formada em 2019, pela Uniderp descobri a gravidez dois anos após deixar a faculdade, aos meus 26 anos. Temos caso de gestação gemelar na minha família e na do meu marido, então era muito provável que tivéssemos gêmeos. A maternidade é muito desafiadora, principalmente, a gemelar, até hoje, os três primeiros meses para mim foram os piores, porque, diferente do que as pessoas dizem, que quando começar a andar piora, para mim esse início foi o mais desafiador, por conta das cólicas, as duas tiveram”, relembra a mãe das pequenas Isabelle e Melinda de 1 ano e 11 meses.

Questionada sobre quem é a Tamires pós maternidade, ela cita que ainda não se reencontrou totalmente, apesar de nunca ter deixado de lado o hobby de treino e a vida de ‘crossfiteira’.

“Eu nunca parei de treinar, então não posso dizer que me deixei de lado completamente. Eu parei de treinar na gravidez com sete meses, na época estava morando em Dourados. Um dia comecei a sentir algumas sensações estranhas e falei com uma das minhas médicas, contei que fazia CrossFit duas vezes na semana e três vezes na semana ia à academia, tudo de forma leve, sem corrida. Mesmo assim, ela me proibiu e manteve apenas a caminhada, então eu ia para a academia e fazia caminhada na esteira, o que também era uma forma de ter um tempo com o meu marido, já que ele ia para treinar”, comenta.

Morando em Dourados com o marido durante a gravidez, ela cita que sempre se manteve ativa e o trabalho foi um dos fatores que contribuíram para isso. O último projeto entregue por ela aconteceu poucas semanas antes de dar à luz as meninas.

“Antes das meninas nascerem eu estava trabalhando com meu marido em duas obras de casas, meu marido é engenheiro civil e eu sou arquiteta, mas gosto de me meter na obra, não gosto de ficar no escritório. Então toda semana eu vinha de van de Dourados para Campo Grande, para vistoriar a obra. Fiquei nesse vai e vem a gestação inteira. Faltando 30 dias para ganhar as meninas eu entreguei a obra, eu já estava com um barrigão, as pessoas falavam que minha barriga ia explodir”, relembra sorridente.

Amor pela profissão fez arquiteta manter rotina de trabalho na gravidez

Duas semanas antes de entrar em trabalho de parto, Tamires e o marido se mudaram para Campo Grande para que ela tivesse o apoio da mãe nos primeiros meses de vida das crianças. Mesmo com os desafios e as noites em claro, o tempo longe do CrossFit durou pouco, após 45 dias, ela retomou as atividades.

“Após o parto voltei para o CrossFit com 45 dias, com mentoria online e com dois meses voltei a pegar pesado, amo o CrossFit é ótimo. então eu sempre treinei. e meu marido ia trabalhar eu ia treinar das 6 às 7 e depois ficava com as meninas. A gente se dá uma perdida depois que temos bebê, e isso é algo que eu tenho que dar uma trabalhada em mim também”, cita.

Com as filhas prestes a completarem os dois anos de idade neste mês de julho, a mamãe enfrentou neste ano um novo desafio, o início da vida escolar das crianças, com a matrícula na creche.

“Eu fiquei com elas um ano e meio e foi a melhor escolha, por que elas já estão falando, andando. Apesar de que a adaptação na creche foi muito difícil, elas estão acostumadas a ficar comigo o dia inteiro, então a adaptação foi o terror, elas ficaram um tempão, saindo às 9 horas, por que não queriam comer e nem tomar água. Agora só choram na hora que eu deixo e as professoras falam que logo elas começam a sorrir”, destaca.

Com as filhas na creche, foi a vez de Tamires retomar um outro lado de sua vida que até então estava estagnado, seu lado profissional. Para isso, voltou a fazer projetos de obras de forma autônoma.

“É ótimo ter filhos, mas passamos por momentos difíceis para conseguir, não são mil flores, mas é maravilhoso, realmente é o maior e melhor amor do mundo. Nós mulheres nos deixamos muito de lado, agora que eu estou voltando às minhas atividades profissionais como arquiteta. Estou pegando obras como autônoma e fazendo orçamentos, eu gosto disso. Também não posso dizer que foi um tempo perdido, mas é um tempo que você deixa para cuidar apenas daquele serzinho”.

Apoio da mãe Terezinha Araujo foi fundamental nos primeiros três meses de vida das meninas

Questionada se ainda existe a possibilidade de ter outro bebê, ela conta que no início a ideia nem sequer passava pela cabeça, primeiro pelos altos custos que tiveram com durante a gravidez e os primeiros meses de vida das gêmeas e segundo pela exigência que um filho requer. Mas atualmente, espera que seja feita a vontade de Deus.

“O trabalho nos três primeiros meses me traumatizou, eu parecia um zumbi porque não conseguia dormir, eu cheguei a chorar pelo cansaço, nunca fui de dormir durante o dia, mas quando minha mãe chegava pela manhã para me ajudar, eu tirava um cochilo. Meu marido foi ao médico e marcou a vasectomia, mas a gente é muito tementes a Deus e um casal de amigos falou que Deus quer construir famílias, isso mudou uma chave na nossa cabeça, não tínhamos consultado sobre isso e desistimos da cirurgia”, finaliza.

Família não descarta a possibilidade de ter mais filhos no futuro

 

 

 

 

Tags: gestação, mãe de gêmeas, Maternidade,