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Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026

Menos de um metro quadrado: Vereadora denuncia superlotação em EMEIs

Segundo a parlamentar, atualmente são 41 alunos para uma sala na Capital

Michelly Perez - 19/08/2024 • 13:20

Audiência Pública/Foto: Reprodução-Câmara de Vereadores

A vereadora Luiza Ribeiro (PT) denunciou na Câmara de vereadores de Campo Grande, na manhã desta segunda-feira (19), a superlotação nas escolas da educação infantil da Capital.  Segundo ela, professoras e educadoras estão tendo que trabalhar em salas com mais de 40 crianças e destacou a sua preocupação com a saúde desses profissionais.

Conforme noticiado anteriormente, pela Revista A Foto, atualmente existem  8.470 cadastros de crianças na lista da secretaria municipal de educação e que para sanar o déficit será necessário construir, no mínimo, 34 escolas com uma média de 25 alunos.

Segundo a vereadora, a necessidade do debate se fez necessária levando em conta que somente de janeiro para julho aumentou quase 2 mil o número de inscrições em Campo Grande. Com base nesses dados, ela esteve em boa parte das unidades escolares da Capital e constatou a situação de superlotação.

“Achamos que a solução deve ir na construção de escolas de educação infantil, por que já estamos chegando no limite da nossa expansão. Uma das questões mais judicializadas é a educação infantil e os juízes tem deferido em liminar o reconhecimento do direito ao ingresso na educação. Logicamente isso tem provocado inchaço nas salas de aulas, na EMEI Serradinho existem 41 crianças do grupo 1 em uma sala de 40metros quadrados. A gente tem na EMEI Atenas a mesma situação então começa a seguir um inchaço nos estabelecimentos que vai prejudicar a qualidade de ensino”, pontuou.

Durante o seu pronunciamento, o secretário municipal de educação, Lucas Henrique Bittencourt destacou que estão trabalhando em três frentes, infraestrutura, recursos humanos e pedagógico. Ele ainda citou que uma escola demora aproximadamente 2 anos e meio desde a licitação, até a obra. Mesmo assim, não se pronunciou sobre a superlotação das salas.

“A região do Anhanduizinho é mais acentuada na lista de espera, a quando fizemos as salas modulares fizemos com planejamento. Investimos em brinquedos e parquinho em 206 unidades, revitalizações 18 concluídas, 119 em execução, 27 inauguradas. As escolas estavam caindo. Crianças e professoras ficavam doentes por conta do mofo, parece algo básico, mas é necessário. Retomamos 8 das 13 obras paradas. É mais fácil construir uma escola do que reformar uma obra parada”, reforçou citando que Campo Grande não apostará na privatização de escolas públicas.

Professora Sulmira Freitas, representante do “Movimento Interfóruns de Educação Infantil” do Brasil destacou que é necessário pensar no acesso, na permanência e na qualidade do ensino oferecido para as crianças.

“Plano nacional de educação 2014 a 2024 temos algumas reflexões pensando na nossa educação infantil. No âmbito nacional, no ano passado tínhamos mais de 6 mil obras paralisadas, nossa grande preocupação é que elas paralisadas têm um impacto muito grande na oferta de vagas e demandam as nossas listas de espera. Também temos um desafio nas redes de pensar nas construções de escolas, pensar também na expansão de rede com estudo técnico para compreender a expansão dos territórios com maior demanda de vagas”, destacou.

Em sua fala, a professora Ângela Maria Costa da Aliança pela Infância reforçou que 8 mil crianças na fila mostra o descaso e incompetência em resolver um problema simples, a educação começa antes da criança nascer. São Paulo conseguiu zerar o déficit de vagas.

“Não é possível que vamos ficar a vida inteira falando disso, é um direito constitucional se é direito da criança a ter um espaço de cuidado e dedicação não tem conversa. Então. Única coisa que se pode fazer é criar espaços. Se nós que somos educadores não é possível que vamos ficar discutindo fila em creche. São Paulo zerou a fila de creche. Nós éramos a única Capital, em 18 anos, Campo Grande não tinha a creche inserida no sistema de educação”, lamentou.

Quem também mostrou a sua indignação com a atual situação de Campo Grande foi o vereador André Luis (PRD), quem frisou que quando se deixa de investir na educação, se faz necessário investir no sistema prisional.

“Quando a gente deixa de construir escolas, começamos a construir presídios. Não consigo entender como contratamos leitos na Santa Casa e não conseguimos contratualizar serviço de creches. É uma questão de mais tratos quando uma criança está fora das creches”, citou.

Tags: déficit de vagas, educação, EMEis,