Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Muitas demandas e pouco dinheiro resumiram audiência sobre Lei Orçamentária na Câmara
Michelly Perez - 04/11/2024 • 11:30
Foto: Izaias Medeiros
A secretária municipal de finanças, Márcia Helena Hokama, voltou à Câmara de Vereadores de Campo Grande para apresentar as projeções para a Lei Orçamentária Anual de 2025. Com uma previsão de gastos de R$ 6.871 bilhões, o valor é 6,92% maior que no ano passado. E o IPTU seguirá sendo o responsável pela maior fatia de arrecadação, com 32,68% (R$1.197.340.000). Mesmo assim, esse dinheiro não deve ser suficiente para atender a todas as demandas do município e, por isso, será necessário o apoio do governo do Estado e da União.
“O orçamento pode ser trabalhado, precisamos de novas parcerias com o governo do Estado e o Federal, trazer novos investimentos. Aprendemos o caminho e estamos colocando em prática”, disse Márcia.
Contudo, com despesas de (26,17%) empenhadas em saúde, (25,01%) em educação e apenas (1%) para cultura, a prestação de contas ganhou um novo tom, quando o vereador Ronilço Guerreiro destacou a necessidade do município levar para Brasília novos projetos. “Olhando o orçamento, precisamos de dinheiro novo, não podemos contar só com a arrecadação municipal. Precisamos discutir com a bancada federal, para que possamos nos ministérios trazer recursos com projetos novos. A população cobra muito da gente, me preocupa muito a paralisação do Belas Artes, do Teatro Municipal, da Praça dos Imigrantes, que era melhor ter deixado como estava, do Horto Florestal. O número de abstenções foi grande, porque a população precisa de resultados”, citou, questionando a falta de apresentação dos investimentos em obras.
Outro tema que ganhou destaque na apresentação foi o famoso “Refis”. A secretária reforçou que, mesmo sendo a principal fonte de receitas do município, cerca de 30% dos contribuintes deixam de pagar os valores devidos. “A inadimplência infelizmente é um pouco alta em Campo Grande e a arrecadação gira em torno de R$ 700 milhões aproximadamente. O IPTU é um imposto difícil de cobrar porque chega em uma época onde a população recebe o carnê, pretende fazer alguma viagem, matrículas de escola, IPVA eles concorrem com outros impostos”, citou a secretária, que pontuou ainda que as multas ambientais serão parceladas no município para oportunizar os pagamentos.
E para mostrar que a população está de olho e cobrando por resultados do município, Arízia Suely Ferreira, presidente da Associação de Moradores do Residencial Flores, frisou que os moradores, mesmo arcando com as suas obrigações do pagamento de imposto, não têm acesso ao básico, asfalto.
“Vários bairros de Campo Grande estão abandonados e esquecidos. Nós moradores temos mais facilidade de estar próximos aos vereadores e ao município nas eleições porque eles vão lá, porque não temos acesso direto à prefeita. Nossas ruas são uma buraqueira danada, temos muitos cadeirantes e mães precisam levar as crianças aos CEINFs nessas condições”, lamentou.
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