Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Trama gira em torno do casal Maria e José num encontro perfeito do circo e do teatro
Michelly Perez - 09/12/2024 • 12:49
Fotos: Gabriella Thays
O espetáculo “Terra Brava” escrito por Nathália Maluf, com colaboração de Dora Gomes e dirigido por Lígia Prieto, explora temas de pertencimento, ancestralidade e resistência, inspirados na história familiar da autora, neta de nordestinos que migraram para Mato Grosso do Sul.
Com estreia prevista para amanhã (10) às 16h, na Associação Lar do Pequeno Assis, em Campo Grande (MS). A peça terá mais três apresentações em locais distintos da capital sul-mato-grossense. A classificação é livre e a duração total é de 45 minutos.
Em cena, os atores Nathália Maluf e Tero Queiroz executam uma performance que mescla elementos teatrais e circenses. Ao longo da história, os personagens representam a luta pela sobrevivência e o desejo de mudança, referenciando a jornada de diversos povos, como nordestinos, indígenas, quilombolas e camponeses.
“Apesar do texto do espetáculo retratar a história de um casal de nordestinos, os personagens da obra carregam consigo esse sonho de pertencimento, a luta e a resistência de uma terra que é sua por direito e a aspiração de uma vida mais generosa. Assim, Terra Brava, que também retrata na dramaturgia a ancestralidade indígena do personagem José, é terra de retirante nordestino, mas também de indígena, e quilombola, de sertanejo, de camponês e de todos aqueles que se veem obrigados, em determinado momento da vida, a partir ou lutar para ficar, mas sem perder a bravura e o almejo de preservar sua própria história e sustentar sua identidade”, introduziu Nathália.

Espetáculo busca descentralizar a arte e levar o teatro a públicos com acesso limitado a produções culturais. Foto: Gabriella Thays
A autora apontou que o encontro entre o circo e o teatro, que o processo trouxe, é marcado pela sinergia corporal e dramática das duas linguagens. “A proposta é ampliar o olhar para o fazer circense, compreendendo sua pluralidade não limitante a uma lógica horizontal, sendo possível aproveitar o repertório dramatúrgico como um todo, sem a separação de texto versus virtuose. Eu coloco como um espetáculo de Teatro e Circo. Não é uma coisa ou outra, é importante compreender a pluralidade de ambas as poéticas de forma não limitante a uma lógica horizontal, assim, borrando as fronteiras: é teatro no circo, é circo no teatro!”, acrescentou.
Além das apresentações, a Cia Apoema oferecerá dois workshops gratuitos em Campo Grande, explorando a interseção entre circo e teatro.
O primeiro workshop, “Circo-Teatro: Um Borrar de Fronteiras Brincante”, é voltado para crianças acima de 5 anos e adolescentes. Ele oferece uma vivência lúdica, abordando acrobacias, malabares e técnicas circenses presentes no espetáculo “Terra Brava”. O workshop será realizado nos mesmos bairros das apresentações.
O segundo workshop, “Um Borrar de Fronteiras: Circo, Teatro, Corpo Cênico e suas Possibilidades”, destina-se a artistas, professores e público geral. Com duração de 4 horas, será realizado no Ateliê Ramona Rodrigues e visa aprofundar o processo criativo do espetáculo e fomentar a troca cultural.
As inscrições para o segundo workshop são limitadas a 20 participantes. Caso o número de inscritos ultrapasse a capacidade, vagas serão destinadas a indígenas, negros e a comunidade LGBTQIA+.
Ambos os workshops são gratuitos. Os interessados devem se inscrever pelo link clique aqui.
Apresentações e workshops em Campo Grande (MS):