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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

“A Casa da Mulher Brasileira tão grande, imponente, mas ineficaz”, lamenta mãe de Vanessa Ricarte

Em um discurso emocionado, família da jornalista vítima de feminicídio questiona resultados da Corregedoria sobre falhas no atendimento

Michelly Perez - 25/03/2025 • 07:34

Foto:  Izaias Medeiros

A família de Vanessa Ricarte retornou ontem (24), à Câmara de Vereadores de Campo Grande, onde o corpo da jornalista foi velado, para questionar a rede de proteção e contestar o inquérito divulgado pela Corregedoria da Polícia Civil que não indicou falhas  no atendimento prestado pelas delegadas da Delegacia Especializada.

“Os áudios mostram como ela ficou decepcionada com o atendimento. Houve falha sim. A Lei Maria da Penha garante à mulher atendimento contínuo e escolta policial. Se tivessem feito a escolta como determina a lei, ela não teria morrido esfaqueada”, desabafou Maria Magdalena Ricarte, mãe da jornalista vítima de feminicídio no dia 12 de fevereiro.

Durante a audiência pública que debateu a integração da rede de atendimento às vítimas de violência. A família, muito abalada pelo ocorrido, questionou as autoridades presentes, inclusive a delegada Elaine Benicasa, titular da DEAM, sobre como é possível dizer que não houve erros, se nem sequer foram capazes de convencer a jornalista a não retornar para casa sem escolta.

“Cadê o conhecimento da delegada em não convencer a vítima a voltar para a casa? Por que Vanessa não conseguiu alterar o boletim de ocorrência? A Casa da Mulher Brasileira é tão grande, imponente, mas ineficaz”, disse Maria, que pede a exoneração da delegada que atendeu Vanessa.

Por sua vez, o pai de Vanessa, Agmar Ricarte, lamentou não ter conseguido salvar a filha e, por isso, solicitou que as delegadas peçam às vítimas para avisarem os familiares da violência que estão sofrendo.

“Estamos do mesmo lado”

Por sua vez, a delegada Elaine Benicasa, titular da Deam, garantiu que “os inquéritos administrativos ou criminais foram apurados de forma pormenorizada, juntado provas documentais e testemunhais”, com a investigação apurada nos mínimos detalhes.

Ela citou o trabalho da Polícia Civil para indiciar o músico Caio Nascimento pelo feminicídio de Vanessa, incluindo na denúncia a violência doméstica e o cárcere privado. No debate, a delegada opinou que o momento é aprimorar toda a rede, mas que é necessário “olhar para trás e ver o quanto já foi feito, quantas vidas foram salvas”.

A delegada citou que somente no ano passado oito mil boletins de ocorrência foram registrados. “É preciso ainda olhar para o presente para nos abrirmos a eventuais dificuldades, déficits e problemas que precisam ser enfrentados”, afirmou, declarando que todas estão do mesmo lado.

Tags: Mulheres, proteção, Vanessa Ricarte,