Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Ele trabalha até a meia noite e garante o sustento da família dele, do entregador e de quem espera a entrega
Michelly Perez - 02/07/2024 • 10:00
Borracharia do Borracha/Marcos Maluf
Em Campo Grande, no bairro Recanto dos Pássaros, Aparecido Candido, 36 anos, é o socorro para muitos motoentregadores. Para a Revista A Foto ele conta como surgiu a ideia de abrir a “Borracharia do Borracha” na varanda de sua casa e ajudar quem precisa garantir o sustento de suas famílias, formando uma espécie de ‘corrente do sustento’, como ele mesmo denominou. “Eu ajudo consertando e eles me ajudam sendo meus clientes”.
“O teu negócio pode estar numa rua sem saída mas você com um bom trabalho vai longe. Tenho clientes que saem do Residencial Damha e do Alphaville e hoje eles vêm aqui. As pessoas saem do outro lado da cidade para trazer os carros”, pontua.

O sogro e a sogra fizeram o investimento na aquisição dos equipamentos da borracharia -Foto: Marcos Maluf
Ademilson é natural de Alta Floresta, no Mato Grosso. Borracheiro desde os 15 anos de idade quando começou a fazer cobranças de bicicleta para uma borracharia no bairro, para um colega do pai.
“Fui tomando gosto e os sócios se separaram e com 17 anos, já fui trabalhar em outra borracharia. Desde então, já trabalhei em várias empresas, até em uma multinacional a Odebrecht por três anos, que estava construindo uma barragem em Paranaíta. Fui o primeiro borracheiro a ser contratado. Na época tinha feito um curso de soldador e como já sabiam que eu trabalhava de borracheiro, me chamaram”, relembra.

Ademilson exalta a todo momento o valor de sua esposa – Foto: Marcos Maluf
De família humilde, o borracheiro precisou trabalhar muito desde cedo. Aos poucos foi colhendo experiência em serviços de borracharia comercial, onde atuou no conserto de caminhões e carros de menor porte. O que ele não sabia é que uma conversa pela rede social, com a que anos depois se tornaria sua esposa, mudaria o rumo de toda a sua história.
“Eu saí de Mato Grosso há 11 anos. Eu comecei a namorar pela internet com a minha esposa, vim para o Estado para conhecer a minha esposa. Minha prima morava em Terenos na época e ela tinha ido me visitar em Alta Floresta, postou uma foto comigo e a minha esposa se interessou por mim, depois disso, começamos a conversar”, relembra.
O bate-papo online durou mais de um ano, entre idas e vindas de Mato Grosso a Campo Grande, a multinacional onde Aparecido trabalhava, decidiu dispensá-lo. Foi então que ele teve a ideia de vir morar em Campo Grande e começar a construir a sua família.

Filha: Maya Brito Riveros – Esposa: Fernanda Brito Riveros e Ademilson /Foto: Marcos Maluf
“Depois de um tempo e mesmo eu já morando em Campo Grande, meu encarregado me enviou oito meses para o Paraná pela Odebrecht, nesse tempo eu trabalhava em uma empresa de transportes aqui e ainda fazia bicos na cozinha de uma lanchonete. Minha filha nasceu e eu vim embora. Ela tem 7 anos hoje”, comenta.
Com uma filha pequena e com uma vasta experiência no setor de borracharia, ele decidiu abrir a primeira unidade própria na Avenida Júlio de Castilho. “Foi meu sogro e minha sogra que me possibilitaram a oportunidade de começar, o senhor Oswaldo Riveiros de Oliveira e a dona Rosa Inês Colombo de Brito, devo muito à eles, jamais vou esquecer, espero um dia retribuir”, diz emocionado. O negócio vinha dando certo, mas por consequências do estado de saúde de Ademilson, ele precisou se afastar para tratar um problema no coração.
“A minha primeira borracharia foi na Júlio de Castilho e depois tive que fazer uma cirurgia no coração e fiquei três meses, operei a coronária do lado direito, faltava circulação no sangue. Minha médica falou que é milagre de Deus eu estar vivo. Nesses três meses eu deixei um funcionário, mas não deu certo. O médico me recomendou ficar uma semana de repouso, mas eu não aguentei e decidi fechar a empresa”, destaca.

O comércio funciona em um espaço de aproximadamente 12m² – Foto: Marcos Maluf
Sem a empresa, com a filha pequena e a família para manter com os gastos mensais, tais como, o aluguel da casa onde viviam. O borracheiro chegou a conclusão de que poderia investir em uma borracharia na varanda de sua casa.
“No começo muitas pessoas falavam que não ia dar certo porque o local é escondido e eu falava que era maravilhoso, era ótimo. Prefiro mil vezes aqui do que na avenida Júlio de Castilho, já me ofereceram um prédio lá de graça e eu não quis. Hoje eu aprendi que o comércio não precisa de uma rua movimentada, ele precisa de um bom trabalho e um bom atendimento”, destaca o empresário que alega que nos finais de semana são os dias com maior procura, principalmente durante a noite.

Arrojado, ele passa total confiança – Foto: Marcos Maluf
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