Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
No inverno, a surpresa de acordar e o carro não pegar tem explicação
Michelly Perez - 27/05/2024 • 17:40
Troca de baterias/Foto: Marcos Maluf
O frio chegou pra valer em Campo Grande e com ele, muitos motoristas tiveram dificuldade em ligar os carros e motos nas primeiras horas da manhã. Para a explicar o motivo que leva as baterias a “pifarem” no inverno, a Revista A Foto conversou com especialistas para entender os motivos que colaboram para esses problemas.
Conforme Durval Afonso Vilela Neto, proprietário da Vilela auto Center, nos dias mais frios é comum a bateria do veículo não conseguir ter a reação química que precisa pra poder aplicar toda a sua carga na hora da partida.
“Para a reação química acontecer a bateria precisa de calor, então se a bateria já estiver um tempo de uso acima de 1 ano bem provável que ela não vai conseguir gerar energia suficiente pra dar a partida no veículo e também por que os carros de hoje em dia com o sistema de eletrônica embarcada como dizemos exigem muito da bateria durante seu funcionamento”, explica.
Além disso, ele pontua que os motoristas e motociclistas precisam estar atentos ao tipo de combustível que utilizam, uma vez, que eles também impactam diretamente na performance dos veículos em dias mais frios.
“Se o veículo estiver abastecido na gasolina é mais fácil entra em funcionamento pelo fato de ter uma combustão maior e com menos percentual de água. Já, se o veículo estiver abastecido com álcool, que por sua vez tem um percentual de água maior na sua mistura, leva a ter um funcionamento mais lento exigindo mais da bateria e do motor de partida”, pontua.
O especialista Rafael Henrique de Oliveira, engenheiro mecânico, mestre e doutor em Ciência dos Materiais e atua como professor dos cursos de engenharia mecânica do Centro universitário Anhanguera de Campo Grande cita que o clima frio traz uma série de mudanças no funcionamento de carros e motos. O óleo do motor mais viscoso aumenta o desgaste inicial durante a partida a frio, enquanto a densidade do ar modifica a mistura de ar e combustível. Para as motos, a carburação pode ser afetada, especialmente em modelos mais antigos sem injeção eletrônica.
“Carros mais antigos tendem a ser mais vulneráveis a condições de frio extremo devido à falta de tecnologias avançadas de gerenciamento de motor e sistemas de aquecimento presentes nos veículos modernos. A carburação, comum em carros mais antigos, é especialmente sensível às variações de temperatura e umidade, o que pode resultar em uma mistura inadequada de ar e combustível. Além disso, os sistemas elétricos mais antigos podem apresentar isolamentos degradados, aumentando o risco de falhas elétricas”
Para evitar “dor de cabeça”, Rafael Henrique recomenda que os condutores evitem dar partida do veículo com acessórios elétricos ligados, como rádio, faróis e ar-condicionado, realizar manutenções regulares conforme recomendado pelo manual do proprietário, manter a pressão dos pneus de acordo com as especificações do fabricante e utilizar combustível de qualidade .
” Permitir que o veículo aqueça por alguns minutos antes de dirigir também pode ajudar a reduzir o desgaste durante a partida a frio e garantir um melhor desempenho do motor. Ficar atento a sinais de alerta, como luzes de advertência no painel do veículo ou ruídos incomuns, e agir rapidamente para investigar e resolver possíveis problemas também é fundamental”, finaliza.
O ideal para não passar por este tipo de problemas é respeitar a vida útil de cada bateria, conforme indicado no manual de instruções de cada marca.