Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Durante a paralisação, apenas 50% das equipes devem manter em atendimentos de urgências e emergências
Michelly Perez - 16/12/2025 • 08:28
Foto: reprodução Sioms
Depois da paralisação do transporte coletivo, que deixou milhares de moradores a pé, Campo Grande volta a enfrentar mais um colapso nos serviços públicos. Desta vez, quem cruza os braços são os cirurgiões-dentistas da rede municipal. A greve da categoria começa na próxima quarta-feira (17).
A decisão foi tomada por unanimidade pelos profissionais da odontologia que atuam na Prefeitura de Campo Grande. O motivo, segundo a categoria, é o descumprimento de decisões judiciais por parte do município, especialmente no que diz respeito ao reposicionamento do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração, além da falta de condições mínimas de trabalho nas unidades de saúde da Capital.
O presidente do Sindicato dos Odontologistas de Mato Grosso do Sul (Sioms), David Chadid, afirma que o movimento é resultado de uma longa sequência de tentativas frustradas de negociação. “Foram várias tentativas de acordo com a Prefeitura, mas as propostas apresentadas não atendem os interesses da categoria. Não se trata apenas de salário, mas do cumprimento da Justiça e de condições adequadas para atender a população”, destacou.
De acordo com o sindicato, a precariedade nas unidades de saúde é antiga e vem sendo denunciada há meses. Profissionais relatam falta de insumos, equipamentos quebrados e até compressores sem funcionamento, o que inviabiliza atendimentos odontológicos básicos.
Cartazes já começaram a ser afixados nas portas das salas de odontologia, informando os usuários sobre a paralisação. Mesmo assim, a categoria afirma que a população não ficará totalmente desassistida.
Durante a greve, mais de 50% do atendimento odontológico será mantido. Pela legislação, o mínimo exigido seria 30%, mas os profissionais decidiram ampliar o percentual como forma de reduzir os impactos para os usuários do SUS. Casos de urgência e emergência seguirão sendo atendidos normalmente.
A paralisação dos dentistas escancara um problema que vai além de uma única categoria. Em menos de uma semana, Campo Grande vê serviços essenciais entrarem em colapso, primeiro com o transporte público e agora com a saúde bucal.
Para o sindicato, a greve poderia ser evitada se a Prefeitura cumprisse imediatamente as decisões judiciais e garantisse condições mínimas de trabalho. “Não queremos parar, mas sem o básico não há como continuar. Falta equipamento, falta estrutura e falta respeito com quem atende a população”, reforçou David Chadid.
A expectativa da categoria é de que o município volte a negociar antes do início da paralisação. Caso contrário, a população deve sentir, mais uma vez, os reflexos da crise na gestão dos serviços públicos da Capital.