Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
A determinação foi comemorada por médicos, já que o produto é o 2º colocado na causa de queimaduras
Michelly Perez - 23/04/2024 • 16:07
Álcool/Marcos Maluf
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu a venda livre de álcool 70 % líquido a partir do dia 30 deste mês, com isso, a partir da próxima semana os itens devem ser retirados nas prateleiras dos supermercados de todo o país.
A determinação foi comemorada por médicos, já que o produto é o 2º colocado na causa de queimaduras. De acordo com dados do setor de queimados da Santa Casa de Campo Grande, de janeiro a março deste ano, foram registrados 98 casos de vítimas com queimaduras, sendo 20 casos resultantes da queima de combustíveis, como é o caso do álcool líquido. No ano passado, o uso inapropriado do produto resultou em 69 vítimas. Essa é uma preocupação nacional, já que a venda do álcool líquido 70% será proibida no dia 30 deste mês.
Vale lembrar, que a venda foi proibida durante 20 anos, por causa de sua inflamabilidade, a liberação do álcool líquido aconteceu durante a pandemia da Covid-19. Agora, com a comercialização do item suspensa em todo o país, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a utilização do produto passará a ser restrita a locais que necessitam de esterilização, como hospitais e laboratórios.
Para a médica residente em Cirurgia Plástica, Bruna Rubbo, os cuidados precisam ser redobrados, pois a queimadura vai além da superfície. “A queimadura é um trauma que afeta não só o local da lesão, mas todo o organismo. São queimaduras mais graves, que deixam sequelas para o resto da vida. Então, vemos os pacientes fazendo acompanhamento devido a um momento que ocasionou um acidente”, ressalta.
Contudo, o consumidor terá outras opções, como álcool em gel, lenço impregnado, aerossol e, na forma líquida, o álcool etílico em concentração inferior a 54° GL (cinquenta e quatro graus Gay Lussac). Apesar de o álcool em gel também ser um tipo de combustível, ele é mais seguro, pois queima apenas na superfície, enquanto a versão líquida tem um potencial explosivo.
Questionada pelo CFF (Conselho Federal de Farmácia), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária esclareceu que o álcool na concentração 70% e forma física líquida somente poderá ser indicado para uso em instituições de assistência à saúde, por isso a categoria que aparece no rótulo é Desinfetante hospitalar para superfícies fixas e artigos não críticos.