Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
"Receber o diagnóstico não é anúncio de morte, mas que você tem uma luta marcada"
Michelly Perez - 11/06/2024 • 12:00
O diagnóstico chegou no momento em que ela menos esperava, trabalhando diariamente em um salão de beleza, ela dividia o amor pelo cuidado com as clientes, com o zelo pela família. Casada, mãe de dois filhos, de 26 anos e a caçula de 12 anos e avó de duas netinhas, nunca imaginou que estaria prestes a viver a batalha mais difícil de sua vida.

Fios de cabelo de Risélia chegaram a afinar, mas não caíram
“No começo de novembro de 2022 sentia muitas dores nas pernas que irradiavam para a região lombar, então pensei que pudesse ser algum problema no nervo ciático ou até mesmo, algo relacionado ao meu trabalho, já que passava muito tempo em pé no salão de beleza. Mas, a dor foi aumentando conforme os dias iam passando e então decidi ir no plantão da Santa Casa, onde fiz exames de raio-x e tomografia e foi então que começou a minha luta”, relembra.
Cientes de que o estado de saúde de Risélia era delicado, a equipe médica resolveu estudar o seu caso em conjunto com profissionais de diferentes especialidades, dentre elas, a oncologia.
“Desde o primeiro instante eles me encaminharam para a oncologia, passei pelo urologista e ele já me indicou que teria que colocar um cateter Duplo J para não perder o meu rim, depois disso fiquei internada e me falaram que meu caso era sério, mas poucos dias depois fui pra casa”.
Diante da gravidade apresentada pelos médicos, o marido de Risélia decidiu que em casa, a esposa não poderia ficar com um diagnóstico ainda incerto e por isso, quatro dias depois eles retornaram para a Santa Casa, onde após novos exames complementares, identificaram o câncer.
“Os médicos já imaginavam que era um câncer, mas queriam saber qual era o órgão primário, e depois de outros exames constataram que era um câncer de mama. Então, e fiz a biopsia dos seios e da coluna, em 15 dias os resultados indicaram malignidade no seio e benignidade no câncer da coluna”, destaca.

Mãe de Risélia acompanhou o tratamento da filha
“Na época ele me perguntou se eu tinha alguma religião e pediu que eu apresentasse a vida da equipe que ia cuidar do meu caso para Deus. Após isso, repeti a biopsia por vídeo e no dia 4 de janeiro de 2023, após ter passado o final de ano realizando muitos exames, eu descobri que estava com metástase óssea. No primeiro momento eu já perguntei se ficaria sem o seio, sem o meu cabelo, se eu ia fazer quimioterapia. E ele me falou que não”, pontua.
Poucas semanas depois, ela descobriu que se tratava de um câncer hormonal e precisou passar pelo procedimento de retirada dos ovários. Recuperada da cirurgia, no dia 6 de março de 2023 ela começou o tratamento com medicação oral. Emocionada ela lembra, que em meio a todos esses processos e etapas ela chegou a perder a alegria, o medo e a falta de perspectivas começaram a tomar conta de sua mente.
“Quando você recebe o diagnóstico não é fácil, o seu chão cai, é como se acabasse um pouco a sua esperança. Essa doença acaba um pouco com a sua alegria e esperança de vida. Você começa a pensar em como será o amanhã. Eu perguntava para Deus, o que seria de mim, eu não conseguia sorrir por mais que eu tivesse colocado a minha confiança em Deus. Eu pedia para que ele não permitisse que eu ficasse em uma cama, e ele me deu forças e renovou a minha alegria”, relembra.

Risélia com o esposo Denilson Siqueira e médico Dr. Lucas Vian
“Trabalhei mais limitada, com mais cuidado, mas mesmo assim, continuei trabalhando e indo aos retornos médicos. Em alguns deles eu recebi a informação de que o câncer estava evoluindo, e depois do mês de junho do ano passado as coisas começaram a melhorar, meus exames começaram a dar sinais de melhora e o doutor chegou a me falar que eu ia conseguir superar”, comenta.
Com o apoio da família, dos amigos e dos irmãos de fé , no dia 5 de outubro os exames que antes mostravam comprometidos os ossos da mandíbula, o maxilar, a vértebra, os joelhos, os pés e o ombro, confirmaram para a surpresa de Risélia que não existia mais a metástase óssea e naquele dia ela tocou o tão desejado sino da superação.