Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Insulinas, anticoncepcionais e canetas injetáveis estão entre os medicamentos mais sensíveis ao calor
Michelly Perez - 27/12/2025 • 07:00
Foto: Laurynas Mea
Nos meses mais quentes do ano, um cuidado simples pode fazer toda a diferença no tratamento de uma doença: a forma como o medicamento é guardado. O calor excessivo, comum em boa parte do país, pode alterar a composição de vários remédios e reduzir — ou até anular — o efeito esperado. Em alguns casos, poucos minutos fora da temperatura indicada já são suficientes para comprometer a eficácia.
A professora Denise Basílio, coordenadora do curso de Farmácia da Estácio, explica que cada medicamento possui uma faixa segura de temperatura.
“Quando esse limite é ultrapassado, a substância ativa pode se degradar. O remédio continua com a mesma aparência, mas deixa de funcionar como deveria”, alerta.
Entre os que exigem mais atenção estão as insulinas, como NPH, Regular, Lispro, Aspart e Glargina, além das canetas injetáveis usadas no controle do diabetes e no emagrecimento. Medicamentos como semaglutida e liraglutida precisam ficar refrigerados antes do uso e perdem a potência rapidamente quando expostos ao calor.
“Uma falha na conservação pode causar descontrole glicêmico e trazer riscos imediatos ao paciente”, reforça Denise.
Outros medicamentos também sofrem com as altas temperaturas, como anticoncepcionais orais, antibióticos líquidos, colírios, soluções orais e cremes dermatológicos. Quando aquecidos além do recomendado, eles podem perder eficácia ou até provocar irritações.
O problema é que, muitas vezes, o paciente não percebe que o medicamento foi afetado. Ele segue tomando corretamente, mas o organismo não responde ao tratamento.
“Esse é o maior perigo. A pessoa acredita que está protegida, mas o remédio já não age como deveria”, explica a farmacêutica.
Situações comuns, como viagens, longos deslocamentos e atividades ao ar livre, aumentam o risco de exposição ao calor. Um carro fechado, por exemplo, pode atingir temperaturas muito altas em poucos minutos. Medicamentos deixados no porta-luvas, no banco ou dentro de bolsas expostas ao sol podem perder a estabilidade.
A orientação é usar bolsas térmicas para transportar medicamentos sensíveis e, em viagens, levá-los sempre na bagagem de mão, onde a temperatura é mais controlada.
“Não basta tomar o remédio no horário certo. A forma como ele é armazenado é fundamental para que o tratamento funcione”, destaca Denise.
Mudanças na cor, no cheiro ou na textura, além de turvação ou formação de partículas, são sinais de alerta. No caso das insulinas, a presença de pontos suspensos ou coloração amarelada indica que algo pode estar errado. Mesmo assim, nem sempre há sinais visíveis. Por isso, na dúvida, a recomendação é suspender o uso e procurar um profissional de saúde.
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