Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Para entidades participantes, prefeitura peca em deixar de lado as revitalizações e apostar em projetos novos
Michelly Perez - 09/05/2024 • 08:00
Orla ferroviária próximo a Barão do Rio Branco/ Marcos Maluf

Homens usam drogas na luz do dia no calçadão da Orla Ferroviaria. Foto/Marcos Maluf
O problema já é recorrente e assombra moradores e comerciantes. Usuários de drogas, paredes pichadas, mato e uma grande quantidade de lixo dividem espaço com o cenário de uma Capital que já foi considerada a melhor do Centro-Oeste segundo pesquisa do índice de Desafios da Gestão Municipal (IDGM) de 2021.
A Câmara de Vereadores debateu na manhã da última quarta-feira (8), o abandono de prédios como a Rotunda, Centro de Belas Artes, Teatro José Octávio Guizzo no Paço Municipal, Calçadão da Barão, Orla Ferroviária, Horto Florestal e Estação do Trem do Pantanal. Para entidades participantes, o município peca em deixar de lado as revitalizações e apostar em projetos novos.

É possível visualizar “cachinbos” para uso de entorpecentes. Foto/ Marcos Maluf
O evento foi marcado por muitos questionamentos e poucas soluções. A começar pela assessora técnica da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, que após uma grande demanda de perguntas solicitou que um relatório com as principais obras fosse enviado para que a secretaria pudesse emitir informações atualizadas sobre cada caso de forma individualizada.
De acordo com a presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, Maria Madalena Dib Mereb Greco, destacou que o descaso já é visto até mesmo no centro de Campo Grande, na Praça Ary Coelho. “O Horto Florestal é um espaço da cidade, ali temos uma biblioteca que deveria estar atendendo a cidade e as escolas e está totalmente abandonado. Sobre a Esplanada Ferroviária eu fico até chocada de falar, a última vez que fizeram uma carpina foi no carnaval. Centro de Belas Artes, me mudei em 1991 e estou vendo o município enfiar dinheiro no poço sem fundo. A Orla foi outro projeto errado, o município gasta dinheiro com obras erradas e Praça Ary Coelho que está impossível, tem que revitalizar, nunca vi uma praça que não tem grama, não tem uma flor. Qual é o atrativo da praça?”, questionou.

Prédio da Rotunda interditado com faixa zebrada. Foto/ Marcos Maluf
Consciente da necessidade de medidas emergenciais, o vice-presidente do Conselho de Patrimônio Histórico e Cultural da Capital, Roberto Figueiredo, confirma que é preciso união para evitar a destruição do patrimônio. “Patrimônio depois de destruído não existe mais, o que temos que fazer é prevenir. Tudo que vier depois de que um patrimônio cai, serão réplicas”, pontua.
Sem solução, o vereador André Luís, ressalta que o problema já perdura por vários anos. Segundo ele, a Capital é boa para construir, mas é péssima em manter.
“Vemos um histórico da falta de gestão de Campo Grande e as coisas param no meio do caminho. Vemos isso na educação, na saúde, no transporte todos esses setores não têm gestão. Precisamos de gestão pública com gestão de processos. Saber o que está acontecendo na SISEP, na Semadur, não temos um responsável na prefeitura para responder pelas coisas”, pontua.
Quem também defende a necessidade de um novo olhar por parte da gestão municipal é a vereadora Luiza Ribeiro . “Estamos patinando há muitos anos porque a cidade tem uma gestão que não olha para o interesse público. A gestora não cumpre ordem judicial. Essa audiência é, também, para pensar em termos na administração quem tem compromisso com a conservação daquilo que é importante para todos nós”, destacou.
Proponente do debate, o vereador e presidente da Comissão Permanente de Cultura, Ronilço Guerreiro, chegou a comentar que se sente envergonhado com a situação em que alguns monumentos culturais se encontram em Campo Grande. “Não precisamos pensar em prédios novos se não cuidarmos dos antigos. É triste ver o que aconteceu ali na própria Esplanada. Temos a Rotunda e vários prefeitos já fizeram projetos. Mas projetos que pararam”, disse.
Davi da Costa Teixeira coordenador de planejamento urbano da Planurb deu como uma das soluções para minimizar tanto os problemas com patrimônios particulares, quanto públicos, a transferência do Direito de Construir, mas indicou que seria difícil em razão dos estudos que precisam ser feitos e de que hoje, os servidores municipais estão ‘assoberbados’ de trabalho.
“Temos a Transferência do Direito de Construir, em que se vende o poder construtivo na compra de outro imóvel e o valor pode ser usado em restauro. Temos o Dom Bosco e o Oswaldo Cruz que está sendo finalizado nessa modalidade. Com o município é algo que podemos considerar importantes, temos imóveis com problemas estruturais e fazer uma venda do direito de construir pode ser feito, mas precisamos que os técnicos consigam ter viabilidade de tempo o que é muito difícil de acontecer. Os servidores municipais estamos assoberbados de trabalho”, declara.
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