Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Especialistas orientam sobre o uso correto de medicação e quando procurar ajuda
Michelly Perez - 20/05/2025 • 09:47
Foto: divulgação
A dor de cabeça após um dia agitado de trabalho para muitos pode não parecer ser algo preocupante, no entanto, você sabia que três ocorrências ao mês, por mais de três meses, é sinal de que é preciso procurar fazer o diagnóstico correto e tratamento?
Há, ainda, outros sinais de alarme – ou red flags – que indicam a necessidade de buscar a Unidade Básica de Saúde (UBS), para um possível encaminhamento a serviços especializados. A neurologista e neurofisiologista do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados, Bianca Morais, apontou algumas delas.
“Cefaleia nova em paciente com mais de 50 anos, pior cefaleia da vida, cefaleia associada a algum déficit neurológico (fraqueza, dormência, alterações na visão, dificuldade de fala, perda de coordenação); cefaleia que acorda o paciente durante o sono, quando há mudança no padrão da cefaleia, cefaleias desencadeadas por esforço físico, quando a cefaleia ocorre em paciente imunodeprimido e quando estiver associada a febre, por exemplo”.
Segundo os neurologistas, soluções caseiras e automedicamento devem ser descartados, sob risco de não atingir a causa do problema e agravar o quadro. “Dores de cabeça frequentes podem levar o paciente a fazer uso abusivo de medicações analgésicas, com risco de evolução para cefaleia crônica diária por abuso medicamentoso”, avisou Bianca.
Da mesma maneira, os especialistas evitam dar dicas para tratar a cefaleia sem avaliação médica, mas são unânimes em recomendar alguns hábitos que podem ajudar. Entre elas, estão: ter uma alimentação balanceada e leve, boa higiene do sono, manejo do estresse, abstenção de tabaco e álcool e evitar abuso de cafeína e analgésicos
A neurologista do Núcleo de Neurociências do Centro de Referência de Parkinson e Transtornos de Movimento (CerMov) do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG/Ebserh), Aracelle Victor do Carmo Faria, acrescentou:
“A partir do momento que essa dor se torna crônica (mais de 15 dias de dor por mês por pelo menos três meses consecutivos), esse indivíduo precisará de tratamentos específicos a fim de controlar as crises de dor, devendo ser acompanhado por um neurologista”.
Segundo ela, os fatores que desencadeiam a dor de cabeça variam, já que existem diferentes tipos de cefaleia, mas alguns hábitos influenciam, como alimentação inadequada, privação de sono e abuso de cafeína. As mulheres são mais propensas a ter e 95% das pessoas têm pelo menos uma ocorrência de cefaleia na vida.
O neurologista Francisco Dias, coordenador dos ambulatórios de Cefaleia e Doenças Cerebrovasculares do Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago, da Universidade Federal de Santa Catarina (HU-UFSC/Ebserh), explicou que a cefaleia pode ser uma doença ou um sintoma.
“A cefaleia é secundária quando é sintoma de uma doença, que pode ser, por exemplo, um tumor na cabeça, uma sinusite ou alguma infecção, como meningite. É primária quando a cefaleia é a própria doença, sendo que a enxaqueca seria o exemplo mais clássico”, disse.
Ele acrescentou que as cefaleias persistentes são um dos sinais de alarme, e é preciso prestar atenção a alterações súbitas. “Uma dor muito forte, que a pessoa nunca sentiu na vida, deve ser motivo de procurar um médico. Outra situação é quando a pessoa tem alteração da consciência junto com a dor, ou seja, se desmaiou, ou teve um quadro de sonolência”, avisou.