Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
BASTIDORES: O tempo mostrou que faltou habilidade em todos os requisitos exigidos de um CEO de obras
Marcos Maluf - 22/06/2024 • 10:16
Foto: Chico Ribeiro
A queda do poderoso secretário de obras estadual, o ex-prefeito Hélio Peluffo, foi marcada pelas ausências daquilo que é mais precioso ao governo de Eduardo Riedel: compliance, gestão e rigor técnico.
Transferido do comando da prefeitura de Ponta Porã, onde havia sido reeleito em 2020, Peluffo chegou a Seilog (Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística) para um choque de gestão e “mudança de mindset” no quesito obras públicas.
O tempo mostrou que faltou habilidade em todos os requisitos exigidos de um CEO de obras. Os processos administrativos e fluxo de gestão emperraram, pagamentos não conseguiam ser empenhados, licitações iam e voltavam para correções e pilhas de documentos eram deixadas nos escaninhos e mesas da super repartição.
Na política, cartão de visitas da nomeação do secretário, que foi filho de prefeito, ocupou a secretária de governo de Ponta Porã (levou um tiro de um irmão de um bicheiro que já atuou na Capital, mas será tema de outra matéria), o andamento não foi dos melhores, com prefeitos, vereadores e outros personagens tendo agendas e solicitações ignoradas em prol “da governabilidade”.
Diversas vezes o próprio governador teve de servir de ‘’manager de RH’’, ouvindo as reclamações oriundas da falta de atendimento na Seilog.
E a gestão das obras e estruturas, outro cartão de visitas do novíssimo governo Riedel, com o mantra divulgado – “Viabilizar e modernizar a infraestrutura em tecnologia da informação e comunicação” – foi também devidamente alagado.
O episódio mais trágico foi o lançamento do grande pacote de obras “MS ATIVO”, previsto para ter 4 bilhões de reais em obras e que, faltando algumas semanas para o lançamento do evento, em abril deste ano, não conseguiu elaborar R$ 400 milhões para custear as obras.
Foi preciso deslocar servidores de outras repartições, como a Secretaria de Governo, para adentrar aos corredores da Seilog e fazer brotar R$ 966 milhões para o governador anunciar. Apesar do dinheiro estar disponível, Peluffo e sua equipe não conseguiram colocar no papel.
A saída definitiva do articulador fronteiriço não se deu por teimosia, receio e um pouco de inoperância dos personagens. Nomes para substituição e outra vaga para Peluffo já foram colocadas no papel, mas o ex-prefeito responde com impropérios a cada movimento para sua exoneração e não aceita nem mesmo o cargo de secretário da Casa Civil, onde teria controle das emendas parlamentares, conversas com deputados, vereadores, prefeitos e secretários de obras do 79 municípios. Exatamente os mesmos que não querem mais conversa com o atual secretário de obras que não os atende.
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