Campo Grande - quarta-feira, 24 de junho de 2026
Saúde está à beira de um colapso, problemas de alergias e crises respiratórias são protagonistas
Michelly Perez - 19/06/2024 • 09:20
Fotos: A Foto da Rua
Moradores de Corumbá estão sofrendo há 20 dias com a fumaça causada pelos incêndios que atingem a região. Para a Revista A Foto, a população revelou quais têm sido as alternativas adotadas para aliviar os problemas respiratórios e para tentar manter a saúde em dia em meio às queimadas.
Empresário, Zezinho Martinez, reside no bairro Universitário em Corumbá, para a reportagem ele ressalta que a fuligem constante tem provocado crises de bronquite no empresário, que já iniciou o tratamento por conta da tosse que tem se mantido constante e cita que o hospital da cidade está cheio.

População sofre com problemas respiratórios
“Eu já tenho um pré-tratamento, faço inalação, tomo um xarope pra tosse que é contínua e tomo alguns cuidados como evitar ficar no ar-condicionado, evitar lugares muito secos, usar o umidificador. só passar no pronto-socorro que você vê a quantidade de gente, tá em superlotação, devido a isso”, destaca.
Mesmo morando há 59 anos na cidade, relembra que o Pantanal sempre sofreu com queimadas, mas não de uma forma tão agressiva de devastação, como está atualmente.
“Este ano antecipou está sendo um dos piores anos, primeiro porque não temos chuva, o rio está muito seco, a expectativa de chuva é quase zero então, a expectativa de chuva declina junto com a nossa expectativa de que vai melhorar alguma coisa, então só nos resta orar e pedir que Deus tenha piedade e mande uma chuva”, frisa.
Se para os adultos a situação exige cuidados redobrados com a saúde, para as crianças a estiagem é ainda mais prejudicial. Naihara Carla Fernandes Luiz Rodrigues, 41 anos, médica e fisioterapeuta, residente no bairro Nova Corumbá conta os cuidados que estão sendo adotados em sua casa com as filhas de 2 anos e 4 meses e a outra 11 meses.

Nuvem de fumaça é avistada em diferentes bairros de Corumbá
“Aqui em Corumbá estamos sofrendo muito com a questão da fumaça, estou usando muito umidificador em casa, colocando panos nas portas para evitar entrada da fuligem, por que mesmo lavando várias vezes ao dia o quintal, fica cheio de fuligem, trocando a água dos cachorros, está horrível. Estamos com a garganta seca, os olhos ardem, tanto nós quanto as meninas precisamos estar sempre lavando o nariz, umidificando as vias aéreas”, comenta.
Mesmo em meio a todas as ações de conscientização e os esforços das equipes em controlar as chamas, a médica destaca que a própria população muitas vezes ateia fogo em algumas regiões da cidade, o que piora ainda mais o cenário. ” As pessoas não têm consciência e mesmo com tudo isso que está acontecendo, você passa por algumas ruas e vê que a população ateou fogo. você olha durante o dia para o céu e parece que vai chover, mas é pura fumaça, se você passar a mão encima do capô do carro, você praticamente consegue escrever”, lamenta.
Para quem deixou a Capital para viver em Corumbá, a adaptação tem sido desafiadora, principalmente, com a necessidade de aumentar os cuidados com a saúde, foi o que contou a analista comercial, Nágilla Maluf, de 39 anos.

Nágilla encontra fuligem em casa ao retornar do trabalho
“Estou aqui há 11 meses, a cidade está o dia todo com cheiro de fumaça, chegando a noite em casa, geralmente eu fico fora o dia inteiro, a área de serviço está toda com fuligem, tenho que lavar quase todos os dias e as roupas no varal ficam ‘defumadas’. Passei muito mal semana passada, fui ao médico com muita dor de garganta, acredito que a fumaça tenha agravado e agora estou na base do soro, bebendo muita água e tentando manter essas medidas”, conta.
Durante a procura pelo atendimento médico, a analista comercial notou o aumento no número de pacientes à procura por atendimento. “Eu fui apenas duas vezes ao hospital daqui, na primeira delas não estava tão cheio, mas nesta última, na semana passada eu notei que estava mais cheio. Apesar disso, o atendimento foi muito bom e consegui pegar todos os remédios necessários”, finaliza.
A Secretaria de Saúde de Corumbá confirmou para a Revista A Foto o incremento no número de atendimentos hospitalares em decorrência da fumaça das queimadas.
“Todos os anos, em maio, junho, com a chegada do outono, há um aumento dos problemas respiratórios e das síndromes respiratórias, e as queimadas agravam essa situação. Houve um aumento na busca dos serviços de saúde em decorrência da fumaça. Recomendamos que a população não se exponha a fumaça, mantenha os ambientes úmidos, se hidratem, e usem máscaras faciais para ajudar a filtrar o ar. E que redobrem os cuidados com crianças, idosos e pessoas do grupo de risco”, reforçou o comunicado.