ícone whatsapp

Capa • As melhores do mês

Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

No mês do Natal, empresários e moradores pedem o fim do comércio de drogas

Lojas "morrem" enquanto vendas de ilícitos ganham destaque na Orla Ferroviária e na Orla Morena

Michelly Perez - 10/12/2024 • 09:48

Fotos e Vídeos: Revista A Foto

Comerciantes e moradores da região da Orla Ferroviária e da orla Morena apelam para o clima natalino e suplicam ajuda para acabar com o tráfico de drogas à luz do dia. Atualmente e, infelizmente, flagrar a venda de entorpecentes tem sido algo corriqueiro na região, não tão perto de um fim e sem ações realmente efetivas que não sejam somente intervenções policiais, a população se sente amarrada.

A região que abriga o Camelódromo, a Praça Aquidauana, o Mercadão Municipal, a Morada dos Baís e a Casa do Artesão poderia formar um clássico roteiro para turistas, mas como apreciar a cultura e a arte onde nem se quer existe segurança?

“Imagina acordar e dormir com o tráfico na porta? Nós vivemos isso todos os dias, o poder público precisa tomar alguma providência. O centro de Campo Grande carrega a nossa história e a situação seria a mesma se fosse na porta da casa da prefeita ou do governador?”, questiona um dos moradores da Orla Ferroviária que optou por não ser identificado.

Medida de restrição como o uso de tornozeleiras não parece intimidar os frequentadores da região da Orla Ferroviária.

Conforme os comerciantes, o número de assaltos e furtos cresceu nos últimos anos, impulsionado pela venda de drogas que se apoia no comércio de itens usados. Por outro lado, o município se respalda em ações paliativas, como o oferecimento de ajuda no Centro-Pop e a proibição da internação compulsória, para maquiar a realidade.

“Uma vez ouvi que a unidade está fechada porque serve para abrigo dos cones das fiscalizações de trânsito. A Polícia Militar também faz as rondas, mas eles se espalham momentaneamente e logo voltam. Precisamos de uma solução”, clama o comerciante, pedindo por socorro.

Segurança com as próprias mãos

Cansados da insegurança, vizinhos dos bairros Planalto/Cabreúva, região da Orla Morena, resolveram criar grupos nos aplicativos de mensagens para alertar sobre movimentações suspeitas. Recentemente, chegaram a se reunir com a Guarda Civil Metropolitana e elaborar um plano de ação.

“Colocação de sistemas de segurança residencial (concertinas, lança perfurante, cercas elétricas, alarmes, câmeras, aumento do muro); contratar segurança para fazer rondas nas ruas dos bairros e a utilização de uma sirene, que pode ser acionada pelo próprio morador, no caso de uma invasão de bandidos à residência”, foram algumas das ideias propostas pela vizinhança.

Eduardo Cabral, presidente da Associação de Moradores do Bairro Cabreúva, reforça que, num mundo ideal, o fim do tráfico de drogas na região seria o presente ideal, mas confirma que os moradores estão sem esperanças de que isso ocorra.

“O tráfico de drogas e a corrupção são os pais de todos os males: deles nascem os dependentes químicos, que cometem crimes dos mais diversos para manter o vício. Se vivêssemos no mundo ideal, acabar com o tráfico seria a varinha de condão. Mas não tenho ilusões”, cita.

Muros carregam as marcas deixadas após as invasões.

Quem encabeçou as discussões sobre a necessidade de medidas concretas contra a criminalidade foi Reginaldo dos Santos, 55 anos, que vive desde 2021 na região da Orla Morena. Após o sucesso da primeira reunião, um novo encontro com os moradores está previsto para o dia 8 de dezembro.

“Nos últimos meses, essa violência aumentou significativamente, com furtos, roubos e até invasões a residências durante a noite, inclusive com a presença deles dentro das casas. Se não cuidarmos do nosso bairro, os bandidos cuidarão”, finaliza.

 

**Questionada sobre a situação, a Prefeitura de Campo Grande não respondeu até a publicação da matéria**

Tags: Capital, Insegurança, tráfico de drogas,