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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

Proposta de Papy sobre laudos permanentes vai dar “voz” aos diagnosticados

Segundo mães de crianças com TEA, documentos atualizados seguem sendo exigidos para atendimentos na Capital

Michelly Perez - 28/03/2025 • 08:43

Foto: Izaías Medeiros

Mães de crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista) de Campo Grande comemoram a aprovação feita pela Câmara de Vereadores nesta semana, sobre a legalidade do projeto apresentado pelo presidente da Casa de Leis, Papy (PSB), que extingue os prazos em laudos de diagnóstico de autismo. Para a Revista A Foto, elas contam que mesmo já tendo uma norma estadual (Lei 5.749), as clínicas seguem exigindo a atualização.

“Ainda temos muitos lugares em Campo Grande que exigem o laudo atualizado e achei bem interessante essa nova proposta, e graças a Deus por isso.  Desde o ano passado, eu não precisei renovar o laudo do meu filho. Mas o que buscamos é fiscalização dessas leis, pelo seu cumprimento, pois tem lugares que ainda não estão cumprindo”, disse Dilma Bogado, 30 anos, mamãe do pequeno Brayan de Jesus Bogado, de 5 anos, que obteve o primeiro laudo em 2022 e depois disso precisou atualizar outras duas vezes.

Com a filha Emilly Maria Alves, de 11 anos, aguardando por uma consulta na área de neurologia para a obtenção do laudo e de medicamentos. A mãe Thais Alves Lopes, de 32 anos, também contou para a Revista A Foto como a proposta de Papy  pode dar maior qualidade de vida para a sua pequena.

“Vejo o projeto como um benefício, porque só nós sabemos como é difícil conseguir os laudos por causa da falta de médicos (especialistas). Já fiquei 2 anos sem conseguir passar por um neurologista para renovar o laudo e às vezes para conseguir retorno é mais de 6 meses. E agora, no momento, ela (Emilly) está sem novamente, a médica saiu do hospital H.U e está na fila de espera, mesmo classificada com urgência”, destacou.

Ela reforça que Campo Grande precisava de uma norma regional para garantir o cumprimento. “Sim, falam (do fim da validade), mas na prática, nos lugares, eles não aceitam. Desde 2019, quando fechamos o diagnóstico de Síndrome Seleção Genética e TEA, a gente sempre precisa ficar correndo atrás, para não ficar sem remédio e insumos”, lamenta.

O Projeto

O Projeto de Lei 9.953/21, de Epaminondas Neto assegura que o Laudo médico pericial que ateste o Transtorno do Espectro Autista (TEA) passe a ter prazo de validade indeterminado. Na justificativa, consta que não se trata de uma condição temporária e, por isso, a exigência do laudo é injustificável. A proposta recebeu assinatura ainda dos vereadores Dr. Victor Rocha, Professor Juari, Herculano Borges, Ronilço Guerreiro e Junior Coringa.

O presidente afirmou que “o autismo é uma condição permanente e dá um trabalho enorme para as famílias, principalmente as mais carentes, de todo ano ter que procurar o neurologista, os médicos, para conseguir o novo laudo para os seus filhos”. Ele explicou que o parecer negativo da Procuradoria deve-se à invasão de competência porque a questão dos laudos fica a cargo do Conselho Federal de Medicina. Porém, diante da necessidade das famílias, a proposta busca trazer essa facilidade.

Tags: Assistência, politica, TEA,