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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

Regulamentação de eventos de manobras é impossível, segundo especialistas em trânsito

Mesmo com toda polêmica a ideia aguarda parecer final do município, segundo vereador

Michelly Perez - 04/06/2024 • 10:00

Especialistas em Educação para o Trânsito explicam para a Revista A Foto que a regulamentação dos eventos de manobras seria como assinar os atestados de óbitos dos participantes, uma vez, que eles não são capacitados tecnicamente para isso.

Conforme Ivanise Rotta, especialista em Educação para o Trânsito da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), pensar na regulamentação é um erro, levando em conta que os motociclistas não possuem capacitação adequada para realizar esse tipo de manobras.

 

As discussões sobre a destinação de um espaço apropriado para encontros de motos existem há mais de sete anos e voltaram à tona em Campo Grande nos últimos dias. Em setembro do ano passado, promotores e praticantes já participaram de uma audiência pública na Câmara de Vereadores para debater o assunto, contudo, segue sem solução.

Em entrevista, Sergio Ejzenberg, engenheiro e mestre em transportes pela Escola Politécnica da USP cita que é importante lembrar, que atividades intrinsecamente perigosas exigem instrução, treino e equipamento específico.

“Isso vale para mergulho, montanhismo, paraquedismo, e isso vale também para motociclismo. Além de certificado de treinamento de capacitação para condução de motocicletas em alta velocidade, o uso de equipamentos especiais deve ser obrigatório: Capacetes especiais, protetores cervicais e lombares, botas especiais com proteção de tornozelo, protetores de joelho e de cotovelo, roupa protetiva. O trabalho conjunto com a federação de motociclismo indicará o modo seguro de permitir esses eventos”, reforçou.

Relembre os casos

Somente neste ano, dois jovens perderam a vida em eventos deste tipo. O primeiro deles aconteceu no  dia 30 de março deste ano, quando Augusto Henrique Soares, de 19 anos, sofreu um acidente e teria batido com a cabeça contra o chão, ele não estava usando o capacete de proteção.  Quando a polícia chegou ao local, a moto já tinha sido retirada e augusto encaminhado pelos amigos para a ambulância do Corpo de Bombeiros, onde não resistiu e veio a óbito. O caso segue em investigação pela 4ª DP.

O segundo caso aconteceu na madrugada do domingo (2), quando Nicholas Yann Santos de 20 anos teria sido atingido por uma segunda moto, ocupada pelo piloto e uma garupa, quando realizava manobras no autódromo durante um evento que reuniu cerca de 2 mil pessoas.

Conforme a Polícia Civil,  o evento era organizado por influenciador, de 40 anos de idade. A entrada custava R$ 20,00 por pessoa. Segundo testemunhas, o evento foi regado a intensa bebedeira, manobras sem capacetes, sem orientações de trânsito e sem fiscalização, além de som automotivo.

Em nota, a organização do evento lamentou o ocorrido e destacou que tinham alvará de funcionamento e contavam com ambulâncias e brigadistas no local. “Não desejávamos que isso tivesse acontecido; nosso objetivo era que todos nós entusiastas do grau, pudéssemos apenas aproveitar o evento”, destacou o comunicado.

Questionado sobre o último acidente, o engenheiro Sergio Ejzenberg pontua que existem sinais claros da falta de segurança no evento. “Lamento  profundamente a morte do jovem Nicholas e a perda que a família e amigos estão sofrendo. A descrição de um casal numa motocicleta e de um motociclista sem capacete em outra fazendo manobras perigosas bastam para caracterizar a total falta de preocupação com a segurança”, opina.

Porto Seco

Em maio deste ano, o vereador Júnior Coringa apresentou uma proposta de que o local destinado a este tipo de eventos poderia ser o  Terminal Intermodal de Cargas , também conhecido como Porto Seco, localizado nas margens da BR-262, no anel viário .

Para a Revista A Foto, o vereador explicou que a regulamentação da área depende do poder executivo. A regularização visa obrigar que um estudo de segurança seja realizado para cada evento, com a presença da polícia militar e do corpo de bombeiros no local, vigilância sanitária e todos os alvarás necessários.

“Fizemos o projeto de lei visando justamente trazer mais segurança para os adeptos da modalidade e também para a população em geral. Agora, aguardamos a regulamentação da prefeitura, com a definição do local, e demais critérios de segurança a serem implantados”, pontua.

Uso correto dos capacetes

Ivanise Rota também relembrou que o uso do capacete é de vital importância para os motociclistas, em ambas as mortes os jovens não utilizavam o item de proteção. Contudo, é importante destacar que existem alguns fatores que devem ser levados em conta para o seu correto uso, tais como a validade e o tamanho adequado.

“O uso é essencial desde que o motociclista esteja na velocidade adequada para a via, o capacete deve estar regulamentando pelo selo do inmetro, de preferência que tenha a queixeira para proteger a mandíbula e a jugular deve estar abotoada com apenas um dedo de folga.  O capacete tem validade de 2 anos. Lembrando que quando o capacete cai no chão e o capacete bate, ele acaba perdendo a água eficácia”, destacou.

 

Tags: Motos, segurança, transito,