Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
A situação chama a atenção do governo do Paraguai, que pretende criar uma sala de crise com MS
Michelly Perez - 17/05/2024 • 13:00
Rio Paraguai/Marcos Maluf
O cenário que tende a piorar levando em conta que não existem expectativas de chuvas na região, chama a atenção, inclusive, do governo do Paraguai. Que pretende criar uma sala de crise, junto com o Mato Grosso do Sul, foi o que destacou o gerente de Recursos Hídricos do Imasul (Secretaria estadual do meio ambiente), Leonardo Sampaio.
“Existe uma proposta de junto com a ANA criar uma sala de crise para a Bacia do Rio Paraguai esse espaço vai servir para coordenar ações entre diferentes órgãos garantindo uma resposta rápida e eficaz para quando a situação evoluir”.
A Marinha do Brasil, informou que na base de Ladário, o nível do rio está em 1,44m, no mesmo período do ano passado estava em 3,37m. Em Forte Coimbra, a situação se repete, ontem (16), o nível estava em 0,19m e no ano passado, 2,86m. Por fim, em Porto Murtinho, o nível atual de 2,22 m, é muito abaixo dos 4,73m registrados em maio do ano passado. Cabe destacar, que o 1,5 m é o nível mínimo comercial para navegação e com isso, a economia de Mato Grosso do Sul já começa a sentir os impactos da seca.
O relatório aquaviário da ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), revela que entre janeiro a março deste ano, a movimentação portuária em Mato Grosso do Sul foi 43,15% menor. Após um ano de recordes, a situação preocupa diante da redução nas cargas de transporte hidroviário, provocada pela seca no Rio Paraguai.
A ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), determinou na segunda-feira (13), a Situação Crítica de Escassez Quantitativa dos Recursos Hídricos na Região Hidrográfica do Paraguai, até 31 de outubro. O que indica que a queda nas exportações deverá seguir acontecendo.
Neste ano, as cargas transportadas somam 906 mil toneladas, puxadas por minério de ferro e soja, cujas quedas foram de -38,6% e 63,1% respectivamente. Do outro lado da moeda, no mesmo período do ano passado, o Estado contabilizou aumento de 83,16%, alcançando 1,6 milhão de toneladas de Minério de ferro, Soja, terras e pedras e Ferro e aço.
A situação atual, coloca em risco um prejuízo bilionário para a economia estadual. Vale relembrar, que no ano passado as exportações via Porto Murtinho, Corumbá e Ladário bateram recorde. No total, de janeiro a dezembro do ano passado, esses terminais portuários transportaram 8,256 milhões de toneladas em commodities sul-mato-grossenses, como a soja e o minério de ferro. Apenas em Porto Murtinho o volume foi de US$ 827,850 milhões.

Foto: Thales Juan
Além da queda nas exportações, o Rio Paraguai também é um grande atrativo para o turismo de pesca e contemplação. Conforme dados da plataforma Alumia, somente nos três primeiros meses deste ano, a cidade de Corumbá recebeu mais de 24 mil turistas. Para Luan Henrique, agente de viagens da Pérola Turismo, a situação preocupa, uma vez, que já estão com a agenda de 2025 sendo preenchida por turistas. “Para a nossa empresa a situação ainda não influenciou, estamos navegando com nossos navios normalmente, mas se a situação piorar pode implicar diretamente nas nossas atividades. Estamos com nosso calendário de 2024 fechado e o de 2025 já vendendo. Mensalmente temos entre 4 e 5 viagens, com custo médio de R$ 6.500 a R$ 7 mil por pessoa”, destaca.
Para a Revista A Foto, o economista e professor de economia da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), destaca que é muito difícil quantificar as perdas que a estiagem no Rio Paraguai pode provocar para o Estado. Mas cita que uma das alternativas adotadas pelas empresas de minério e soja é a utilização das rodovias, que hoje é o segundo modal logístico mais caro, perdendo somente para os transportados via aérea.
“Quando não existem mais condições de utilizar a logística aquaviária, a alternativa que o principal município exportador de minérios de MS, Corumbá, tem é a utilização do transporte rodoviário. E a rodovia é o segundo modal logístico mais caro, perdendo somente para os transportados via aérea. Os custos aumentam mais ainda no caso de minério devido à capacidade reduzida da rodovia em transportar este tipo de produto. Se as águas do rio Paraguai “escasseia” para a navegação não temos ferrovia que tem capacidade bem superior à rodovia para o transporte de minérios, por exemplo. Assim, os custos vão se elevando na medida em que seremos obrigados à utilização de mais caminhões via rodovia para ecoar a produção”, alerta.
Após participar da reunião da diretoria da ANA, o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de MS, Jaime Verruck destacou a importância de aplicar novas medidas. “A situação é preocupante, o Governo de Mato Grosso do Sul vem acompanhando junto com o Governo de Mato Grosso e a Agência Nacional de Águas, o comportamento dos rios e a frequência das chuvas que estão abaixo da média histórica desde ano passado, o que fez com que não tivéssemos cheia no Pantanal nesse ano”, pondera.

Com baixo volume de chuvas, Porto Geral em Corumbá tem extensa faixa de areia -Foto: Thales Juan
Por sua vez, a Agência Nacional de Águas destacou que no município de Corumbá, a cidade corre o risco de ficar sem o abastecimento. Com 102 mil habitantes, que se abastece do Rio Paraguai. A Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul) instalou uma bomba para captar 632 litros de água por segundo do rio. “Em 2021, a estrutura de captação ficou submersa numa lâmina d’água de apenas 30 centímetros. Nesse ano estamos prevendo que o nível do rio fique mais baixo e a captação por essa bomba seja interrompida”, afirmou superintendente da ANA, Patrick Tadeu Thomas.
Tags: economia, Estiagem, Exportação,