Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Máquinas capazes de transportar até quatro toneladas já circulam sozinhas dentro de unidade industrial
Michelly Perez - 05/03/2026 • 09:28
Foto: divulgação
Imagine um armazém gigantesco onde fardos de celulose que pesam toneladas se movimentam quase sem intervenção humana. Em vez de empilhadeiras e operadores circulando o tempo todo, quem assume parte do trabalho são robôs que “pensam”, calculam rotas e transportam cargas de forma totalmente autônoma. Essa cena, que parece saída de um filme futurista, já é realidade em Mato Grosso do Sul.
A Suzano começou a operar robôs autônomos na movimentação de fardos de celulose em sua fábrica instalada em Ribas do Rio Pardo, no interior do Estado. A iniciativa é apontada como uma das primeiras do setor a aplicar em larga escala a tecnologia de robôs móveis autônomos, conhecidos internacionalmente como AMRs.
Batizado de FlexNav, o equipamento foi desenvolvido em parceria com a empresa brasileira Dalca. A proposta é transformar a logística dentro da fábrica, tornando o processo mais eficiente, tecnológico e sustentável.
Os equipamentos são capazes de transportar até quatro toneladas de celulose por vez, carregando dois conjuntos de fardos em cada operação. Diferentemente de máquinas convencionais, eles não precisam de operador direto: se deslocam sozinhos pelo armazém, guiados por sensores e por um sistema central que monitora todas as atividades em tempo real.
Assim que os fardos saem da linha de produção, os robôs entram em ação. Eles retiram o material e o levam até pontos específicos do armazém, sem necessidade de manuseio manual. O próprio sistema também controla o carregamento das baterias e a organização das rotas para evitar conflitos no trajeto.
Nesta primeira fase do projeto, quatro robôs já estão em operação, responsáveis por movimentar cerca de um terço da produção da unidade. A expectativa é ampliar gradualmente o uso da tecnologia até alcançar toda a produção da fábrica — e, futuramente, levar o modelo para outras unidades da empresa.
Mais do que substituir tarefas repetitivas, a tecnologia também está mudando o perfil do trabalho dentro da indústria. Funcionários da própria unidade passaram por treinamento para operar, monitorar e fazer a manutenção dos robôs, assumindo funções mais técnicas.
Segundo a empresa, a mudança permite que os profissionais deixem atividades mais operacionais para atuar em áreas estratégicas, ligadas à automação, manutenção e gestão tecnológica.
O desenvolvimento da tecnologia começou ainda em 2022, quando a companhia anunciou a construção da nova fábrica em Ribas do Rio Pardo. Desde então, foram cerca de quatro anos de pesquisa, testes e integração tecnológica até o início da operação.
O projeto envolveu aproximadamente 50 profissionais, entre especialistas da Suzano e da Dalca, incluindo engenheiros, programadores e técnicos das áreas elétrica, mecânica e de automação.
Com a novidade, a unidade sul-mato-grossense se torna uma espécie de laboratório para o futuro da indústria de celulose — onde robôs, inteligência logística e trabalhadores altamente qualificados passam a dividir o mesmo espaço produtivo.
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