Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Confira as divergências entre a versão registrada em vídeos inéditos e as narrativas dos integrantes do município
Michelly Perez - 03/12/2025 • 10:37
Foto: Revista A Foto
A Revista A Foto teve acesso, com exclusividade, ao boletim de ocorrência registrado no dia da manifestação que marcou a conturbada inauguração das luzes de Natal. O documento, que deveria esclarecer os fatos, apresenta uma série de pontos que divergem do que mostram as imagens captadas no local e das versões apresentadas pelos manifestantes.
A seguir, você acompanha as principais contradições identificadas.
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Segundo o boletim, “uma aglomeração de manifestantes, portando paus, faixas, apitos e cornetas”, teria se aproximado dos agentes, e dois deles teriam adotado postura “ríspida e agressiva” ao questionar o policiamento.
No entanto, nas imagens obtidas pela reportagem, não é possível identificar qualquer manifestante portando paus ou objetos semelhantes. A cena geral mostra pessoas com faixas e instrumentos sonoros simples, sem itens que representem ameaça física.
Outro ponto que contradiz a narrativa oficial é o momento da suposta provocação. As imagens mostram que quem se dirige até o bloco de manifestantes não são indivíduos exaltados — mas sim o próprio secretário municipal de Segurança, que avança em direção ao grupo e inicia a interação que antecedeu todo o conflito.
Foi a partir dessa abordagem que o tumulto começou.
O boletim afirma que, após ser dada voz de prisão ao professor Washington por ameaça e desacato, ele teria resistido, empurrado os agentes e tentado fugir, exigindo “uso diferenciado da força” para ser contido.
Mas as imagens obtidas pela revista mostram o contrário: Washington aparece sendo algemado em posição de imobilização, sem realizar qualquer movimento de resistência ou tentativa de evasão. A cena sugere cooperação, e não confronto.
Outro trecho do boletim registra que Washington teria sido colocado no compartimento destinado a presos e que o segundo detido, Fagner — apontado no documento como portador de um canivete — teria sido acomodado no banco traseiro da viatura.
As imagens não registram qualquer objeto cortante com o manifestante, e pessoas próximas relatam que o item nunca foi apresentado no local, gerando dúvidas sobre a procedência dessa informação e sobre os critérios adotados no transporte de cada detido.