Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Ao vencer o medo de infância, Júlia Inaê transformou sua maioridade em um ato de coragem e solidariedade
Michelly Perez - 03/02/2026 • 07:32
Fotos: divulgação- HRMS
Existem marcos na vida que ficam gravados em fotos, mas o que Júlia Inaê Pereira Romero viveu nesta semana ficará marcado na história de quem ela nem conhece. Ao completar 18 anos, a estudante não buscou apenas a liberdade da vida adulta; ela buscou a chance de oferecer o que tem de mais precioso: a vida que pulsa em suas veias.
O cenário desse rito de passagem foi o Hemosul do Hospital Regional. Mas, para Júlia, o caminho até a cadeira de doação foi uma jornada de superação. Aquela menina que, na infância e adolescência, sentia o coração disparar e o receio tomar conta diante de um simples exame de rotina, deu lugar a uma mulher que entendeu que o amor é maior que o medo.
Júlia não caminhou sozinha. Ela foi guiada pelas mãos de quem ensinou, no silêncio do exemplo, que ajudar o próximo é a missão mais bonita de uma família. Há dez anos, seu pai, Fernando Dias, plantou essa semente ao doar para um tio. O que era um gesto de emergência floresceu em hábito. Logo, a mãe, Cristiana, uniu-se a ele.

Uma família unida não apenas pelo sangue, mas pelo propósito de salvar vidas.
Nesta semana, o ciclo se completou de forma emocionante. “Vim assustada, foi uma superação, mas não senti nada. Saber que meu sangue vai ajudar outras pessoas deixou tudo mais leve”, disse Júlia, com o brilho nos olhos de quem acaba de descobrir que a verdadeira força não está em não ter medo, mas em agir apesar dele.
Para a família Romero, o sangue é mais do que um laço biológico; é um elo de esperança. Enquanto Cristiana brincava sobre o “rolê de adulto” da filha, o pai já olhava para o futuro, vislumbrando o dia em que o filho mais novo, hoje com 14 anos, também se sentará naquela cadeira para escrever seu próprio capítulo nessa corrente.
Histórias como a de Júlia nos lembram que a solidariedade é uma herança que não depende de bens materiais. É um ensinamento passado à mesa, no dia a dia, e concretizado em um braço estendido.
A história da Júlia prova que nunca é tarde para vencer um receio em nome de algo maior. Se você tem entre 16 e 69 anos e boas condições de saúde, o Hemosul espera por você.
Hospital Regional (HRMS): Segunda a sexta, das 7h às 12h.
Hemosul Coordenador (Centro): Segunda a sexta até às 17h; sábados até às 12h.
Doe sangue. Deixe o amor correr pelas veias de quem precisa.
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