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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

Amor que corre nas veias: pai encerra 52 anos como doador e inspira filha a seguir salvando vidas

Última doação aos 69 anos transforma despedida em símbolo de legado, exemplo e chamado à solidariedade

Michelly Perez - 30/03/2026 • 09:31

Foto: Divulgação

Começar a semana com notícia boa já virou tradição na Revista A Foto — e hoje a gente traz uma história que é puro exemplo e inspiração. Na última semana, no Hemosul de Campo Grande, o que parecia ser apenas mais um procedimento ganhou um significado muito maior. Aos 69 anos, Domingos Paulo Sosti estendeu o braço pela última vez para doar sangue — encerrando uma jornada de 52 anos marcada por um gesto simples, mas capaz de transformar destinos.

Desta vez, porém, havia algo diferente: do outro lado estava sua própria filha, Vanessa dos Santos, responsável por conduzir a coleta. Técnica em enfermagem, ela não apenas acompanhou a trajetória do pai — tornou-se parte dela.

A cena, silenciosa e carregada de emoção, traduziu mais do que uma despedida. Foi a prova de que a solidariedade pode atravessar gerações.

Uma vida inteira dedicada ao outro

Domingos começou a doar sangue aos 18 anos, em São Paulo. Desde então, nunca deixou de contribuir. Ao longo de mais de cinco décadas, fez da doação um compromisso contínuo com a vida.

“É gratificante. A gente ajuda o próximo sem nem conhecer quem está recebendo”, resume.

Entre tantas lembranças, uma permanece viva: a vez em que sua doação ajudou a salvar a filha de um amigo.

“Ela precisava com urgência. Aquilo me marcou, porque pensei que ajudei uma criança a ter toda uma vida pela frente.”

Agora, ao se aproximar dos 70 anos — idade limite para doação —, Domingos encerra esse ciclo não por falta de vontade, mas por regra.

“Se pudesse, continuaria doando”, afirma.

Quando o exemplo arrasta

Vanessa cresceu vendo o pai voltar para casa após cada doação, sempre com o mesmo sentimento: orgulho.

“Eu dizia: quando crescer, quero ser como ele”, relembra.

O medo de agulha quase a fez desistir, mas o exemplo falou mais alto. Hoje, ela também é doadora — e há cinco meses trabalha no Hemosul, vivendo de perto aquilo que aprendeu dentro de casa.

“Ele sempre dizia que não doía, que o mais importante era ajudar. Demorei, mas entendi.”

A influência não parou por aí. Uma das irmãs também doa sangue, e até o irmão, ainda resistente, segue sendo incentivado pela família.

Uma despedida que virou homenagem

O que seria apenas a última doação acabou se transformando em um momento de reconhecimento. Domingos recebeu um certificado inédito do Hemosul, celebrando sua trajetória.

Mas, para Vanessa, a homenagem foi além do papel.

“Era para ser algo simples, mas virou uma forma de agradecer tudo o que ele representa para mim.”

Para ela, o pai é daqueles que não medem esforços para ajudar.

“Se você ligar de madrugada, ele vai. Ele se doa o tempo todo — não só no sangue, mas na vida.”

Mais do que encerrar uma história, aquele momento marcou a continuidade de um legado.

“Ele terminou essa fase com saúde, no tempo certo. E deixou algo muito maior: o exemplo”, diz Vanessa.

Um exemplo que agora segue vivo — não só na família, mas em cada pessoa que decidir transformar o medo em coragem.

Mesmo com tantas histórias, Domingos resume tudo em uma mensagem simples:

“Não dói. O que fica é a certeza de que você pode salvar alguém. Isso não tem preço.”

Quem pode doar?

Doar sangue é seguro, rápido e pode fazer toda a diferença. Para isso, é preciso:

  • Estar saudável
  • Ter entre 16 e 69 anos (primeira doação até 60 anos)
  • Pesar mais de 51 kg
  • Estar bem alimentado e hidratado
  • Apresentar documento com foto
  • Respeitar os intervalos entre doações

Antes da coleta, todos passam por uma triagem que garante a segurança de quem doa e de quem recebe.

Tags: Doação de Sangue, Exemplo, Solidariedade,